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Chip na manga: por que a guerra tecnológica entre EUA e China passa por Taiwan

INDO-PACÍFICO
Chip na manga: por que a guerra tecnológica entre EUA e China passa por Taiwan

A China realizou no fim de semana os maiores exercícios navais em décadas no Estreito de Taiwan, enviando dezenas de navios e aeronaves para cercar a ilha. O movimento militar coincide com um anúncio econômico estratégico: Pequim vai investir US$ 47 bilhões para dominar a produção global de semicondutores e inteligência artificial. Manobras militares e bilhões em tecnologia são duas faces da mesma moeda.

Taiwan não é um território qualquer na disputa geopolítica. A ilha abriga a TSMC, maior fabricante de semicondutores do mundo, responsável por produzir a maior parte dos chips avançados que equipam desde smartphones a mísseis. É por isso que a China reforça a pressão militar sobre o território que considera seu, enquanto os Estados Unidos respondem enviando um grupo de ataque de porta-aviões para a região. Quem controla a fabricação de chips controla o futuro da economia global.

No século XX, guerras foram travadas e alianças forjadas em torno do controle do petróleo. Neste século, os semicondutores ocupam esse papel central. Esses minúsculos componentes eletrônicos são a infraestrutura básica da inteligência artificial, da computação avançada e de toda a indústria de defesa. Sem eles, a economia para. Quem domina a tecnologia dos chips dita o ritmo do desenvolvimento mundial.

A dimensão dessa disputa salta aos olhos no mercado. A Nvidia, fabricante americana dos processadores mais avançados para inteligência artificial, tornou-se a empresa mais valiosa do planeta, ultrapassando a marca de US$ 4 trilhões em valor de mercado. A demanda por seus chips bate recordes e supera de longe a capacidade de produção. Esse desequilíbrio entre oferta e procura é justamente o que a China quer quebrar com seu novo pacote de investimentos, inserido no plano nacional de industrialização até 2030, para liderar a fabricação de tecnologia de ponta.

A estratégia chinesa é clara. Ao cercar Taiwan com navios de guerra, Pequim sinaliza que tem poder de interromper o fluxo global de semicondutores a qualquer momento. Ao injetar US$ 47 bilhões na própria indústria de tecnologia, busca construir uma cadeia de produção independente do ocidente. O objetivo é deixar de depender de fornecedores americanos e taiwaneses.

Por que importa: o Brasil importa praticamente todos os semicondutores que consome, e a escassez global desses componentes faz o preço de carros, celulares e eletrodomésticos disparar no varejo nacional. Além disso, a tensão militar no Oriente afasta investidores de mercados emergentes, o que desvaloriza o real e encarece o dólar. Uma guerra tecnológica entre as duas maiores economias do mundo esfria o comércio internacional, reduz a exportação de commodities brasileiras e dificulta a recuperação da indústria nacional.

Fontes