Olh no Mundo
Geopolítica & Economia
O Essencial de Hoje +++
Brent em US$ 87.38/bbl·Risco baixo·Brent em US$ 87.38/bbl·Risco baixo·
Tecnologia·2 min de leitura

Os 500 bilhões da OpenAI e o surgimento de empresas com poder de países

TECNOLOGIA
Os 500 bilhões da OpenAI e o surgimento de empresas com poder de países

A empresa criadora do ChatGPT, OpenAI, atingiu uma avaliação de 500 bilhões de dólares após reestruturar sua parceria comercial com a Microsoft. No mesmo período, a IBM anunciou um avanço significativo na área de computação quântica. Esses dois episódios mostram como a concentração de poder tecnológico está criando corporações privadas com recursos financeiros e influência comparáveis aos de países inteiros.

O acordo entre as duas empresas mudou as regras de uma das parcerias mais importantes do setor de tecnologia. A OpenAI passa a ter mais controle sobre sua infraestrutura de processamento de dados e capacidade de cálculo, algo conhecido no mercado como "compute". Em contrapartida, a Microsoft garante acesso prioritário aos modelos de inteligência artificial da OpenAI. O jornal americano The Wall Street Journal destacou que o negócio redefine a participação acionária e os direitos sobre o uso desses sistemas.

Essa reorganização acontece porque a inteligência artificial exige volumes gigantescos de investimento em servidores e energia. Treinar um modelo avançado custa bilhões de dólares, o que mantém a tecnologia fora do alcance de nações menores e de concorrentes sem capital expressivo. Como observou o The Wall Street Journal, "a nova estrutura financeira estabelece parâmetros claros sobre os direitos de compute". O resultado prático é a consolidação de um mercado onde pouquíssimas empresas detêm a infraestrutura básica do desenvolvimento tecnológico mundial.

Enquanto a inteligência artificial domina os holofotes, a computação quântica avança de forma silenciosa nos laboratórios. A IBM alcançou um marco importante ao demonstrar estabilidade em um processador de 1.121 qubits, batizado de Condor. O qubit é a unidade básica dessas máquinas, equivalente ao bit dos computadores comuns, mas com capacidade de processar informações de forma exponencialmente mais rápida.

A conquista da IBM aproxima o mundo da chamada vantagem quântica prática. É o momento em que essas máquinas conseguem resolver problemas reais que seriam impossíveis para os computadores atuais, como a simulação de novas moléculas para remédios ou o aprimoramento de materiais industriais. A revista científica Nature classificou o feito como a prova de que a estabilidade em uma escala acima de mil qubits é possível.

Essas duas frentes tecnológicas caminham na mesma direção geopolítica. A concentração de poder deixa de ser apenas uma questão de mercado e vira uma preocupação estratégica de segurança nacional. Quando poucas corporações controlam a inteligência artificial e o processamento quântico, elas detêm uma influência direta sobre a economia e a defesa global.

Por que importa: o Brasil é importador de tecnologia e precisa acompanhar essa corrida de perto. A falta de soberania tecnológica também se traduz em dependência econômica e vulnerabilidade de dados. Em um cenário onde corporações detêm poder de países, estar à margem do desenvolvimento significa pagar mais caro por sistemas essenciais à indústria, aos serviços públicos e à rotina dos cidadãos brasileiros.

Fontes