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Juro travado nos EUA e Europa estagnada: a conta da instabilidade global reordena o mundo

ECONOMIA
Juro travado nos EUA e Europa estagnada: a conta da instabilidade global reordena o mundo

O mundo está trocando de eixo. Enquanto os Estados Unidos mantêm os juros no nível mais alto em décadas e a Europa engatinha, países emergentes ganharam força. A Índia ultrapassou o Japão e se tornou a quarta maior economia do planeta. Juntas, essas mudanças mostram que os custos da instabilidade global estão reordenando o peso das potências.

O banco central norte-americano, conhecido como Fed, manteve a taxa básica de juros na faixa de 4,25% a 4,50%. É um patamar altíssimo, que trava o crédito e dificulta o crescimento. A sinalização é de que um corte pode finalmente vir em setembro. O presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou que "se esperarmos até ficarmos totalmente confiantes de que a inflação está no caminho certo, provavelmente esperaremos demais". A frase confirma a percepção de que a economia americana pede fôlego.

Do outro lado do Atlântico, a zona do euro luta para não regredir. O desemprego caiu para 5,8%, o menor nível em dois anos, impulsionado pelo setor de tecnologia verde. O dado, no entanto, esconde uma economia que ainda engatinha após a crise energética e a inflação persistente dos últimos anos. A recuperação do mercado de trabalho europeu é tímida diante do baixo crescimento geral da região.

Enquanto as potências tradicionais patinam, o chamado Sul Global avança. A economia indiana cresceu de forma expressiva e superou a japonesa em paridade do poder de compra. O consolidado indiano projeta um futuro onde os centros de gravidade da riqueza se deslocam para a Ásia e para fora do eixo histórico do Atlântico Norte.

A América Latina também ensaia seus próprios ajustes. A Argentina registrou superávit primário pelo terceiro trimestre seguido sob a gestão de Javier Milei. O economista e ministro do governo Milei, Federico Sturzenegger, celebrou o resultado e declarou que "a austeridade fiscal começa a render frutos concretos". O lado duro dessa moeda é o custo social extremamente alto da política de corte de gastos.

Por que importa: esse tabuleiro global bate diretamente no bolso do brasileiro. Com os juros americanos no topo, investidores evitam mercados de risco e o dólar fica mais caro no Brasil. Isso pressiona a inflação interna e dificulta a queda dos juros locais. A estagnação europeia reduz a demanda por exportações brasileiras, mas a ascensão de economias como a Índia abre novas portas comerciais para o agronegócio nacional.

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