Líderes dos países membros da OTAN, a aliança militar ocidental liderada pelos Estados Unidos, discutem elevar a meta de gasto defensivo para 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB). O valor representa mais que o dobro da exigência atual da aliança, de 2% do PIB. A pressão parte dos Estados Unidos, que quer que os aliados europeus assumam uma fatia bem maior do custo da segurança do continente.
A meta atual de 2% já era tratada como um marco ambicioso. Em 2014, poucos países cumpriam o compromisso. Hoje, a maioria já atingiu ou está perto desse número, mas a velocidade das mudanças no cenário internacional tornou o patamar insuficiente. O novo patamar de 3,5% seria o maior esforço de rearmamento da Europa desde a Guerra Fria.
A imagem é simples de entender. Por décadas, a Europa contou com o guarda-chuva militar americano. O exército dos Estados Unidos era a principal garantia de que ninguém atacaria o continente. Isso bastava para manter a paz e permitiu que países europeus reduzissem seus próprios orçamentos militares.
Agora, a lógica mudou. Não se trata apenas de manter um exército forte para inibir um ataque, mas de preparar nações para um confronto real. A transição é de uma postura defensiva e simbólica para uma estrutura preparada para sustentar uma guerra por tempo prolongado.
A pressão de Washington sobre os aliados reflete essa nova urgência. Os Estados Unidos querem reduzir seu compromisso militar na Europa para focar em outras regiões, como a Ásia. Em contrapartida, exigem que os europeus assumam a conta e a responsabilidade pela própria defesa.
Cumprir a nova meta de 3,5% do PIB será um desafio gigantesco. Para chegar a esse número, países como Alemanha, França e Itália precisarão cortar programas sociais, aumentar impostos ou se endividar ainda mais. O debate sobre como encontrar esse dinheiro deve dominar as discussões políticas internas de cada país nas próximas semanas.
Por que importa: Um mundo em que as grandes potências aceleram a compra de armas e o tamanho de seus exércitos é um mundo mais caro e mais tenso para todos. A escalada militar costuma elevar o preço de commodities essenciais, como combustíveis e minerais estratégicos. No Brasil, isso se traduz em pressão sobre o preço da gasolina, no custo de importação de fertilizantes agrícolas e no valor do dólar. Países que gastam mais com armas têm menos recursos para investir em áreas como saúde e educação, um dilema econômico que se reflete no ritmo da economia global.
