A Argentina fechou o terceiro mês consecutivo com superávit fiscal, resultado do corte profundo de gastos públicos do presidente Javier Milei. Ao mesmo tempo, governo e oposição da Venezuela retomaram em Barbados as negociações para estabelecer garantias mínimas para as eleições presidenciais. São duas tentativas distintas de estabilizar países em crise profunda: uma pela via da austeridade econômica e outra pela pressão diplomática.
Em Buenos Aires, o ajuste apertado tem mantido as contas públicas no azul. O superávit financeiro atingiu 614 bilhões de pesos em maio, segundo o Ministério da Economia, sinalizando o cumprimento da meta central do plano econômico libertário. A inflação argentina, embora esteja em desaceleração, continua na casa dos três dígitos e pressionando o bolso das famílias. "O custo social do ajuste é altíssimo e a recessão afeta milhões de trabalhadores informais", alertou o Centro de Economia Política Argentina (CEPA) em estudo recente sobre o impacto das medidas de Milei.
A situação em Caracas segue um caminho diferente, focado em regras políticas e menos em contas públicas. As conversas em Barbados tentam pavimentar uma eleição presidencial com observação internacional e transparência. Para a diplomacia regional, o sucesso desse diálogo determina se o país sai do isolamento. A oposição venezuelana insiste que "só a transparência eleitoral pode garantir a saída pacífica da crise institucional que vivemos", conforme declarou a coalizão Plataforma Unitária. O entendimento político é visto como indispensável para que o país normalize suas relações comerciais e diplomáticas com o resto do mundo.
Esses dois movimentos sul-americanos afetam diretamente o Brasil. Pelo lado argentino, a recuperação lenta da economia de Buenos Aires tem o poder de reanimar o comércio nas cidades gêmeas da fronteira sul, que dependem fortemente do movimento de compras e vendas entre os dois países. Uma Argentina que volta a consumir aquece a indústria brasileira e melhora a saúde de cidades fronteiriças que enfrentaram anos de paralisia.
Já o desenlace político na Venezuela influencia diretamente o fluxo de migrantes que chegam ao Brasil todos os dias, além de reabrir portas para negócios na região. A pressão por eleições limpas dita o ritmo dessa mobilização humana, que hoje sobrecarrega serviços públicos em estados como Roraima e Amazonas.
Por que importa:
A vizinhança em paz e com a economia funcionando é boa para o bolso do brasileiro. A recuperação comercial da Argentina ajuda a equilibrar o câmbio no Brasil ao fortalecer a exportação de fábricas nacionais, o que reduz a pressão sobre o preço do dólar no comércio local. Ao mesmo tempo, eleições transparentes na Venezuela representam a esperança de um retorno gradual dos migrantes ao país de origem. Isso alivia drasticamente o gasto da União com assistência social, saúde pública e segurança nas regiões de fronteira mais vulneráveis do território nacional.
