Líderes da OTAN, a aliança militar ocidental liderada pelos Estados Unidos, anunciaram novos pacotes de defesa aérea para a Ucrânia em cúpula recente. O compromisso de manter o apoio militar contínuo a Kyiv chegou em um momento delicado. A Alemanha, maior economia do continente e peça fundamental desse esforço de guerra, acabou de entrar em recessão técnica.
A recessão técnica ocorre quando a economia de um país encolhe por dois trimestres seguidos. Foi exatamente o que aconteceu com os alemães, que viram seu produto interno bruto recuar no início e no meio deste ano. O setor industrial do país, motor financeiro que sustenta a Europa, está em forte contração. A coincidência desses dois fatos expõe uma rachadura clara no apoio ocidental ao conflito.
Sustentar uma guerra prolongada exige duas coisas fundamentais: muito dinheiro e uma base industrial ativa para fabricar munição e equipamentos. Os países europeus precisam transformar suas fábricas civis em linhas de produção militar para abastecer a Ucrânia. Com a indústria alemã enfraquecida e a economia do continente em encolhimento, fica cada vez mais difícil e caro manter o fluxo constante de armas e suprimentos que Kyiv precisa.
Essa combinação perigosa de compromissos militares altos e caixa baixo pode mudar o rumo da guerra. Pressões políticas internas nos países europeus devem ganhar força à medida que a população sente o peso econômico da recessão no dia a dia. O desgaste financeiro abre caminho para que os países da região comecem a buscar uma saída diplomática e negociada para o conflito, em vez de uma vitória militar total no campo de batalha.
Por que importa: a fragilidade da Europa esfria uma das maiores fontes de compras de produtos do agronegócio e da indústria brasileira. Com a Alemanha em crise e comprando menos commodities globais, a demanda internacional por bens brasileiros diminui. Esse cenário tende a esfriar o comércio bilateral, reduzir a entrada de dólares no país e pressionar o câmbio, deixando produtos importados e a gasolina mais caros para o brasileiro.
