A Coreia do Norte testou um novo míssil de longo alcance lançado no Mar do Japão nesta semana. O disparo ocorre exatamente enquanto Estados Unidos e Coreia do Sul preparam exercícios militares conjuntos na região. O regime de Pyongyang mais uma vez usa uma demonstração de força para tensionar o ambiente antes de iniciar qualquer conversa diplomática.
O lançamento segue um padrão conhecido da dinastia Kim no poder. O líder norte-coreano Kim Jong-un calibra provocações militares para criar um clima de urgência e perigo. O objetivo estratégico é negociar com os adversários sempre a partir de uma posição de tensão máxima e mostrar força para a própria população.
Cada teste militar não é apenas um espetáculo para a televisão estatal, mas um passo real no desenvolvimento tecnológico do regime. Com cada lançamento, os engenheiros norte-coreanos aprimoram a capacidade nuclear e a precisão dos projéteis de longo alcance. Isso aumenta significativamente o risco de uma resposta militar americana direta na Ásia.
A tensão no Leste Asiático preocupa autoridades de todo o mundo porque a região concentra boa parte da produção global de bens de alto valor. Coreia do Sul e Japão abrigam as principais fábricas de semicondutores, baterias e componentes eletrônicos do planeta. Qualquer interrupção no comércio marítimo asiático por causa de um conflito armado desorganizaria as cadeias de suprimento internacionais.
Apesar do distanciamento geográfico, o Brasil depende fortemente desses insumos importados para manter sua indústria funcionando. Por que importa: a escalada militar entre coreanos e americanos pode encarecer componentes essenciais, o que pressiona a inflação brasileira e eleva o preço de eletrônicos, veículos e máquinas no país.
