A China bloqueou a exportação de metais raros essenciais à fabricação de semicondutores, acendendo um alerta global e disparando uma corrida de países tentando garantir o próprio fornecimento de tecnologia. O movimento de Pequim acirra a tensão comercial com Estados Unidos e União Europeia e mostra que chips de computador se tornaram tão estratégicos quanto petróleo ou armamento.
Na mira das restrições chinesas estão o gálio e o germânio, dois minerais fundamentais para produzir semicondutores, painéis solares e fibras ópticas. Ao controlar a venda desses materiais para fora do país, o governo chinês usa uma vantagem que possui de sobra: hoje, a China domina praticamente todo o mercado global de extração e refino desses metais. A restrição funciona como uma resposta às tentativas ocidentais de limitar o acesso chinês a tecnologias avançadas.
A escassez ameaça fábricas pelo mundo inteiro, e os países estão correndo para se proteger. A Índia acabou de anunciar um fundo de 5 bilhões de dólares para criar seu próprio ecossistema de inteligência artificial e semicondutores. O plano inclui uma parceria com a TSMC, gigante taiwanesa do setor, para erguer uma fábrica de chips em Gujarat. Nova Délli quer atrair investidores, gerar empregos locais e diminuir a dependência asiática na montagem de aparelhos eletrônicos.
Na Europa, a resposta tem dois flancos. A União Europeia colocou em prática o AI Act, uma regulamentação que classifica as ferramentas de inteligência artificial pelo nível de risco que oferecem à sociedade. Sistemas considerados de alto risco têm prazo até 2026 para se adaptar às novas regras. Enquanto aplica a lei, o bloco tenta fomentar a própria indústria de base.
Paralelamente, o Reino Unido desenhou um plano de soberania tecnológica com investimento de 2 bilhões de libras em computação de alto desempenho. O projeto prevê a instalação de supercomputadores em Bristol e Cambridge, com a meta declarada de colocar o país na liderança europeia no desenvolvimento de modelos de inteligência artificial.
Por que importa: o Brasil não fabrica semicondutores avançados, mas conserra os efeitos diretos dessa guerra tecnológica no bolso. A inteligência artificial exige enormes centros de processamento de dados, o que dispara o consumo global de energia e encarece insumos. Um mercado internacional mais fragmentado e tenso costuma elevar o preço de eletrônicos e máquinas, o que puxa a inflação e o dólar para cima dentro do país.
