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Brasil articula Sul Global antes da COP30 e mira centro do tabuleiro climático

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Brasil articula Sul Global antes da COP30 e mira centro do tabuleiro climático

O Itamaraty está reunindo países em desenvolvimento para chegar com uma agenda comum à conferência climática de Belém, no Pará, em novembro de 2025. O objetivo é transformar o Brasil em negociador-chave entre as nações mais ricas e o chamado Sul Global na definição de quem paga a conta da transição ecológica.

O foco das conversas preliminares está no dinheiro. Países ricos prometeram mobilizar centenas de bilhões de dólares para que nações mais pobres consigam se adaptar às mudanças climáticas e reduzir emissões de gases poluentes. Os valores, no entanto, demoram a sair do papel e ainda são vistos como insuficientes pelos países em desenvolvimento. O Brasil quer cobrar regras mais claras e prazos mais curtos para o desembolso desses recursos.

Florestas são o outro eixo da ofensiva diplomática. O país abriga grande parte da Amazônia e quer criar mecanismos que paguem de fato pela preservação das árvores em pé. A ideia é que nações que protegem suas florestas recebam uma compensação financeira justa, evitando que precisem derrubar a vegetação para actividades econômicas como a agropecuária.

A escolha de Belém como sede da conferência dá peso simbólico a essa estratégia. Receber delegações de todo o mundo no coração da Amazônia coloca o Brasil em posição privilegiada para ditar o ritmo das mesas de negociação. O governo brasileiro aposta que a localização reforça a legitimidade de suas demandas por mais recursos de preservação.

Essa articulação também responde a frustrações antigas. Em edições anteriores das conferências climáticas, países desenvolvidos e emergentes travaram disputas acaloradas sobre metas e responsabilidades financeiras. Ao costurar uma posição comum entre os países do Sul Global antes da conferência, o Brasil busca evitar que as nações mais ricas imponham condições e divida o bloco emergente com promessas isoladas.

Por que importa: o sucesso ou fracasso dessas negociações直接影响 custos e oportunidades concretas para o Brasil. O financiamento climático pode viabilizar a recuperação de áreas devastadas, apoiar o agronegócio sustentável e acelerar a produção de energia limpa, criando empregos e movimentando a economia nacional. Um bom acordo em Belém coloca dinheiro verde no país e pode ajudar a segurar o preço da comida no prato do brasileiro.

Fontes