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IA não vive só de código: gigantes da tecnologia buscam energia nuclear e bilhões no Oriente Médio

ENERGIA
IA não vive só de código: gigantes da tecnologia buscam energia nuclear e bilhões no Oriente Médio

A inteligência artificial deixou de ser apenas uma corrida por algoritmos mais inteligentes e virou uma disputa por eletricidade. A Microsoft fechou acordos com a empresa de energia Constellation para garantir eletricidade nuclear capaz de abastecer seus centros de dados nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, a Apple anunciou um aporte de 10 bilhões de dólares em infraestrutura de inteligência artificial no Oriente Médio. As duas movimentações mostram que o controle do futuro da tecnologia agora passa por reatores e por geopolítica.

O salto de capacidade da inteligência artificial exige um volume sem precedente de processamento computacional. Cada consulta feita a um modelo de linguagem consome muito mais eletricidade do que uma busca simples na internet. Os grandes centros de dados que sustentam essas ferramentas funcionam ininterruptamente e exigem fontes de energia que não parem nunca. A eletricidade gerada por usinas nucleares tem essa caracterência exata: é constante, estável e não sofre com a falta de vento ou de sol.

Foi essa necessidade que levou a Microsoft a buscar a Constellation. A empresa de tecnologia precisa de uma rede elétrica à altura de sua ambição de expandir a inteligência artificial em larga escala. "Nossa meta é garantir fontes de energia firmes e limpas", declarou Bobby Hollis, executivo da Microsoft responsável por energia, ao explicar a aposta no nuclear. O acordo visa garantir o funcionamento constante da infraestrutura computacional que sustenta a inteligência artificial.

Do outro lado do mundo, a Apple também se move para garantir sua fatia nesse tabuleiro. A empresa vai investir 10 bilhões de dólares para instalar centros de dados fora do território americano. O destino escolhido é a megacidade de NEOM, um gigantesco projeto urbano no deserto saudita financiado pela riqueza do petróleo. A estratégia busca diversificar a base física da tecnologia e aproximar o processamento de dados de outras regiões globais.

Esses movimentos sinalizam uma mudança profunda no equilíbrio de forças globais. Países com abundância de energia estão se tornando peças indispensáveis para a economia digital. O petróleo ditou a geopolítica do século XX. A eletricidade necessária para fazer as máquinas pensarem promete dominar as disputas de poder das próximas décadas. Na prática, quem controla a energia, controla a inteligência artificial.

Por que importa: o deslocamento de bilhões de dólares em tecnologia para o Oriente Médio aquece a economia de países produtores de petróleo e acaba influenciando o preço de combustíveis no mundo todo. Quando os combustíveis ficam mais caros, o custo da energia no Brasil também sobe, o que pressiona a inflação, encarece a conta de luz e empurra o valor do dólar para cima. A corrida tecnológica que parece distante tem um peso direto no custo de vida brasileiro.

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