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Iêmen: vice-presidente ligado aos Houthis sobrevive a ataque e governo de transição mostra rachaduras

ORIENTE MÉDIO
Iêmen: vice-presidente ligado aos Houthis sobrevive a ataque e governo de transição mostra rachaduras

O vice-presidente do Iêmen, filiado ao movimento Houthi, sobreviveu a um ataque nesta semana, num episódio que expõe a fragilidade do novo governo de transição do país. A notícia foi reportada pela Al Jazeera. O episódio acontece enquanto uma insurgência jihadista avança pelo sul iemenita, pressionando um Estado que mal conseguiu se formar.

O governo de transição é, na prática, um acordo entre facções que passaram anos em guerra entre si. Os Houthis, grupo armado que controla o norte do país e a capital, Saná, dividem o poder com forças rivais do sul. Um ataque contra a segunda figura do executivo mostra que esse arranjo existe mais no papel do que nas ruas: as instituições são frágeis e a confiança entre as partes, escassa.

Enquanto isso, a insurgência jihadista ganha terreno no sul. É a abertura clássica de guerras civis: quando as facções que deveriam governar juntas estão voltadas umas contra as outras, grupos armados ocupam o vazio. Um Estado fragmentado tem pouca capacidade de responder, e cada avanço dos insurgentes enfraquece ainda mais o acordo de transição.

O momento é especialmente delicado porque os próprios Houthis ameaçam o tráfego de navios no Mar Vermelho, uma das rotas comerciais mais importantes do mundo. Por ali passam contêineres e petróleo que ligam a Ásia à Europa. Com o grupo atacando embarcações e o governo interno em crise, o Iêmen virou ao mesmo tempo um problema diplomático internacional e uma bomba-relógio doméstica.

O risco é de retroalimentação: quanto mais o Estado se fragmenta por dentro, menor o controle sobre quem age em nome dele nas águas do Mar Vermelho. E quanto mais tensão externa, mais difícil costurar o compromisso interno que sustentaria a transição. O ataque ao vice-presidente pode ser lido como um sintoma desse ciclo.

Por que importa: a rota do Mar Vermelho afeta diretamente o bolso do brasileiro. Quando navios deixam de passar por ali, os fretes sobem e o custo chega ao preço de importados nos supermercados e à inflação geral. Além disso, parte do comércio brasileiro com a Ásia e a Europa usa essa via, e instabilidade ali significa prazos maiores e logística mais cara para exportadores nacionais.

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