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Ucrânia: drones contra refinarias, a guerra chega ao petróleo russo

GEOPOLÍTICA
Ucrânia: drones contra refinarias, a guerra chega ao petróleo russo

Enquanto a Rússia avança no leste da Ucrânia, Kiev respondeu levando a guerra para dentro do território russo: drones ucranianos de longo alcance atingiram refinarias de petróleo, o coração econômico do Kremlin. Na outra ponta, Moscou intensificou os ataques à rede elétrica ucraniana, numa tentativa de paralisar o país no frio.

A lógica por trás dos dois movimentos é a mesma: atingir a capacidade do adversário de sustentar a guerra. Para a Rússia, o petróleo refinado é a principal fonte de renda que financia o esforço de guerra. Cada refinaria danificada significa menos combustível para o exército, menos exportações e menos dinheiro entrando nos cofres do Estado. É como se a Ucrânia, incapaz de vencer Moscou no campo de batalha convencional, estivesse atacando a carteira do inimigo.

A ofensiva russa no leste, por sua vez, ganhou intensidade nos últimos tempos, segundo a BBC News. Com as tropas de Moscou pressionando no front, Kiev busca abrir uma segunda frente, digamos assim, econômica, forçando o governo russo a dividir sua atenção e seus recursos entre o avanço terrestre e a proteção de instalações espalhadas por um território imenso.

Os ataques russos à infraestrutura elétrica seguem uma estratégia já conhecida, mas cada vez mais agressiva. A ideia é simples e cruel: deixar a Ucrânia sem energia no inverno, afetando hospitais, casas e fábricas, para desgastar a população civil e pressionar o governo de Volodymyr Zelensky a negociar em condições desfavoráveis.

O dilema para a Ucrânia é que essas operações de longo alcance consomem drones e recursos escassos, enquanto a situação no leste exige homens e munição no front. A aposta de Kiev é que causar dano econômico profundo dentro da Rússia compense a escolha de não usar esses mesmos recursos na linha de frente.

Para o Observador curioso, o embate também ajuda a entender por que o preço do petróleo anda tão sensível a qualquer notícia vinda dessa guerra. Refinarias atacadas significam menos combustível no mercado global e pressão sobre os preços.

Por que importa: o Brasil importa diesel e outros derivados de petróleo, e parte dessa cadeia sofre com oscilações no mercado internacional. Se o conflito apertar a oferta global de combustível, o efeito pode aparecer no preço do frete, dos alimentos e, no limite, na inflação que corrige o salário do brasileiro. Uma guerra distante no leste europeu tem, sim, ponte até o posto de gasolina na esquina.

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