Os ataques aéreos israelenses destruíram grande parte da infraestrutura militar iraniana, incluindo linhas de montagem de mísseis e instalações de drones. Agora a pergunta que vai definir os próximos anos é simples: Rússia e China terão capacidade e interesse em reconstruir essas estruturas? E, ainda mais importante para o mercado global, um eventual acordo entre EUA e Irã vai liberar a produção de petróleo iraniana de volta ao mercado internacional?
Essas duas perguntas estão conectadas. A reconstrução militar do Irã depende de financiamento externo, tecnologia estrangeira e acesso a peças de precisão. Rússia e China têm interesse geopolítico claro: ambas veem o Irã como um contrapeso ao poder americano no Oriente Médio. Moscou já compra drones iranianos para usar na Ucrânia, provando que existe comércio militar ativo entre os dois. Pequim, por seu lado, investe pesado em infraestrutura iraniana e não quer um rival regional enfraquecido demais. Mas reconstruir uma máquina de guerra não é rápido nem barato, especialmente com as bases destruídas.
A segunda questão toca diretamente a economia global. Antes dos ataques, havia esperança de que uma negociação entre Washington e Teerã pudesse levar ao levantamento das sanções americanas ao Irã, abrindo o caminho para que o país voltasse a exportar petróleo em larga escala. Se isso acontecer, o barril fica mais abundante no mercado mundial, o que pressiona os preços para baixo. Sem um acordo, o Irã segue isolado economicamente, o que limita sua capacidade de reconstrução militar e mantém uma oferta menor de petróleo global.
Moscou tem interesse em ambas as coisas, mas não exatamente pelos mesmos motivos. A Rússia quer um Irã forte o suficiente para manter a região instável e desgastada, o que custa atenção e recursos americanos longe da Europa. Já a China prefere estabilidade que permita fluxo de comércio e energia. Esse interesse dividido significa que a reconstrução iraniana não será automática nem rápida, mesmo com ajuda externa.
A reconstrução levará meses ou anos. Enquanto isso, o Irã negociará com os EUA sem capacidade militar demonstrada, o que reduz seu poder de barganha. Um acordo eventual dependerá menos da força militar iraniana do que da avaliação que Washington faz de seus interesses estratégicos no Golfo Pérsico. Se os EUA e o Irã chegarem a um entendimento, o petróleo iraniano volta, os preços caem e a reconstrução começa. Se não, o Irã fica mais fraco e a dinâmica regional fica presa a um impasse.
Por que importa: Para o Brasil, tudo isso afeta o preço do petróleo bruto e, consequentemente, a bomba de gasolina. Se o Irã voltar a exportar em escala, o barril tende a cair, reduzindo o custo do combustível para o consumidor brasileiro. Mas o mesmo cenário pressiona a receita do Estado brasileiro, que depende das exportações de petróleo. Além disso, um Irã reconstruído militarmente pela Rússia intensificaria tensões no Oriente Médio, aumentando o prêmio de risco sobre o petróleo global e tornando a bomba mais cara. A taxa de câmbio também sofre: cenários de maior instabilidade elevam a demanda por dólar, encarecendo as importações e afetando a inflação brasileira.
