Os custos de transporte e seguro de cargas de energia dispararam a níveis nunca vistos, segundo os ministros dos países da Opep e de nações não membros do bloco que participam da Declaração de Cooperação. Frete e seguros já ultrapassam um terço do valor da mercadoria transportada, o que compromete o fluxo eficiente de energia pelo planeta. O motivo: os ataques dos hutistas no Iêmen estão tornando as rotas do Mar Vermelho mais caras e perigosas a cada semana.
Os hutistas são um grupo armado xiita que controla o norte do Iêmen e enfrenta a Arábia Saudita numa guerra civil que dura quase dez anos. A estratégia do grupo, segundo a cobertura do canal Al Jazeera, é justamente elevar o custo do conflito para a Arábia Saudita. E funciona: cada ataque a navios ou instalações no entorno do estreito de Bab el-Mandeb, porta de entrada sul do Mar Vermelho, obriga as companhias de navegação a desviar rotas, contratar escoltas navais ou simplesmente cobrar mais caro pela travessia.
Esse custo extra se repassa direto ao preço do petróleo. Quando o frete de um petroleiro encarece, o barril que ele carrega fica mais caro antes mesmo de chegar à refinaria. Se o seguro para atravessar o Mar Vermelho triplica, a conta vai embutida no preço final. A conta que antes era paga só pelos importadores da região agora pesa sobre o preço global do cru, porque o mercado funciona como uma teia: se uma rota encarece, a demanda migra para outras, que também sobem.
O que agrava a situação é a escala do problema. Os ministros da Opep e de países aliados alertaram que os custos logísticos atingiram um patamar que atrapalha o próprio funcionamento do mercado de energia. Com frete e seguro consumindo mais de um terço do valor do barril transportado, o incentivo para usar aquela rota cai, a oferta demora a chegar aos consumidores e o preço sobe por falta de alternativas baratas.
Por que importa: O Brasil importa combustíveis e também depende de rotas marítimas globais para escoar suas exportações de petróleo, soja e minério. Quando o custo de frete e seguro sobe em qualquer grande rota do planeta, o efeito chega ao bolso do brasileiro pelo preço dos combustíveis nas bombas, pelo custo dos alimentos no supermercado e pela pressão no câmbio.
