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Israel: a guerra em Gaza custa apoio dos EUA e testa alianças na África

ORIENTE MÉDIO
Israel: a guerra em Gaza custa apoio dos EUA e testa alianças na África

A opinião pública americana sobre Israel despencou para mínimas históricas em pesquisas recentes. Ao mesmo tempo, a eleição israelense de 27 de outubro será acompanhada de perto por governos de Marrocos à África do Sul. São dois sintomas do mesmo mal: dois anos de guerra em Gaza, somados ao conflito com o Irã, estão corroendo o capital diplomático de Israel justamente onde o país mais dependia de sustentação internacional.

Nos Estados Unidos, os números refletem um desgaste que vai além de críticas pontuais à campanha militar. Pesquisas compiladas pelo Washington Institute, centro de estudos americano especializado no Oriente Médio, indicam que o apoio popular a Israel atingiu patamares sem precedentes, em queda acentuada mesmo entre eleitores historicamente simpáticos ao país. O veterano analista democrata Stanley Greenberg, em entrevista ao podcast Decision Points do instituto, avalia que a insatisfação americana com a guerra no Gaza, somada à oposição à intervenção conjunta com Israel contra o Irã, pode representar uma mudança estrutural na forma como os EUA enxergam o aliado no Oriente Médio.

Na África, o teste é outro, mas igualmente delicado. A eleição israelense de 27 de outubro será observada como um termômetro de até que ponto os laços que Israel construiu com países africanos nos últimos anos resistem ao desgaste provocado pela ofensiva em Gaza. Nações como Marrocos, Chade e Ruanda haviam se aproximado de Tel Aviv em troca de cooperação tecnológica e agrícola. Agora, a pressão de uma opinião pública africana mais sensível à causa palestina coloca esses governos em posição desconfortável.

O que está em jogo para Israel vai além de manchetes. O apoio americano é a espinha dorsal militar e financeira do país: Washington fornece bilhões em ajuda de defesa anualmente e tem sido o principal escudo diplomático de Israel em fóruns como o Conselho de Segurança da ONU. Já os vínculos com a África representavam uma aposta estratégica de longo prazo para escapar do isolamento diplomático no Sul Global. Se ambos os pilares enfraquecem ao mesmo tempo, o custo geopolítico da guerra se acumula numa velocidade difícil de reverter.

Por que importa: O desgaste diplomático de Israel afeta diretamente o equilíbrio de forças no Oriente Médio, região que influencia o preço do petróleo, a rota do comércio global e a cotação do dólar. Para o Brasil, qualquer instabilidade prolongada nessa área pode pressionar o preço dos combustíveis nas bombas, encarecer a importação de fertilizantes (o país compra quase um terço do que usa do Oriente Médio e do Norte da África) e amplificar a volatilidade cambial.

Fontes