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Petróleo e energia nuclear voltam à mesa como cartas de poder

ENERGIA
Petróleo e energia nuclear voltam à mesa como cartas de poder

A Argélia produziu mais de 1 milhão de barris de petróleo por dia em setembro de 2026, alcançando 1,003 milhão de barris diários e sustentando esse patamar por dois meses consecutivos pela primeira vez em mais de três anos. A produção deve subir ainda mais em novembro e dezembro. Enquanto isso, do outro lado do Mediterrâneo, o setor de energia do Reino Unido pressiona o governo trabalhista a cortar regulamentações para retomar o posto de potência em energia nuclear. Dois movimentos distintos, uma mesma lógica: num mundo cada vez mais instável, energia vira moeda de troca geopolítica.

A recuperação do petróleo argelino é significativa. O país africano é membro da Opep, a organização que reúne os maiores exportadores de petróleo do mundo, e sua produção vinha oscilando há anos por falta de investimento em infraestrutura e por instabilidade política interna. Voltar ao patamar de 1 milhão de barris diários dá a Argélia mais peso nas negociações dentro do cartel e mais receita para financiar projetos domésticos. Para um país que depende de hidrocarbonetos para pagar as contas públicas, recuperar capacidade produtiva é questão de sobrevivência, não só de estratégia.

O caso britânico segue outra direção, mas aponta para o mesmo horizonte. Setenta anos atrás, em Cumbria, no noroeste da Inglaterra, o mundo inaugurou sua primeira usina nuclear comercial. Desde então, o Reino Unido perdeu terreno para França, China e Estados Unidos no setor. Empresários do setor de energia argumentam que a burocracia atual, que chamam de ultrapassada, impede novos projetos de sair do papel. A aposta nuclear britânica responde a duas pressões simultâneas: a necessidade de reduzir emissões de carbono e a vontade de não depender tanto de gás importado, especialmente após a crise energética provocada pela guerra na Ucrânia.

O que liga os dois casos é o contexto. Desde 2022, com a invasão russa da Ucrânia, os países perceberam que quem controla oferta de energia controla parte do jogo diplomático. A Rússia usou o gás como arma contra a Europa. A Arábia Saudita manipula a produção para influenciar preços. Agora, a Argélia recupera sua capacidade justamente quando a Europa procura alternativas ao gás russo, e o Reino Unido quer reativar sua indústria nuclear para reduzir vulnerabilidades. Energia deixou de ser só commodity para virar instrumento de poder.

Por que importa: O Brasil importa gasolina e óleo diesel em momentos de aperto, e o preço do barril lá fora influencia direto o que o brasileiro paga na bomba. Quando produtores como a Argélia voltam a bombear mais, há mais oferta no mercado internacional, o que pode aliviar pressão sobre os combustíveis. Já a corrida nuclear europeia abre espaço para o urânio brasileiro, já que o país tem uma das maiores reservas do mineral do mundo, em Minas Gerais. Energia como moeda de troca não é assunto distante: afeta bolso, emprego e posição do Brasil no tabuleiro global.

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