Olh no Mundo
Geopolítica & Economia
O Essencial de Hoje +++
Brent em US$ 109.69/bbl·Brent em US$ 109.69/bbl·
Geopolítica·2 min de leitura

Washington promete paz no Líbano e despeja gasolina no Sudão

GEOPOLÍTICA
Washington promete paz no Líbano e despeja gasolina no Sudão

Três meses depois de anunciar um acordo com Israel para devolver territórios ao sul do Líbano, os Estados Unidos ainda não cumpriram nenhuma das promessas. Nenhum pedaço de terra foi entregue ao Exército libanês, nenhuma equipe de verificação chegou ao terreno e o cessar-fogo segue frágil. Enquanto isso, a milhares de quilômetros dali, aliados americanos estão financiando uma guerra civil no Sudão que já funciona como conflito por procuração, segundo analistas do Carnegie Endowment, centro de estudos sediado em Washington.

O acordo no Líbano foi assinado como parte de um esforço para retirar o grupo armado Hezbollah do sul do país e devolver o controle territorial ao Estado libanês. A promessa era ambiciosa: o governo de Donald Trump queria usar o pacto como vitrine de sua política no Oriente Médio. David Hale, embaixador americano aposentado e colunista do jornal The Hill, avaliou que o Líbano ainda pode ser a primeira vitória de Trump na região, desde que Washington intensifique a pressão. Mas, até agora, a pressão ficou no papel.

O Hezbollah não se retirou das áreas combinadas e o Exército libanês não avançou. Sem mecanismo de verificação, o acordo funciona mais como declaração de intenções do que como plano concreto. A fragilidade preocupa especialmente o Líbano, país que enfrenta crise econômica profunda e não tem fôlego para bancar uma nova fase de instabilidade militar. O risco é que o vazio de implementação abra espaço para escalação, não para paz.

A situação no Sudão segue um roteiro parecido de promessas vazias, mas com um agravante: neste caso, os aliados dos Estados Unidos não estão parados. Estão ativamente financiando os lados do conflito. A guerra civil sudanesa, que opõe as Forças Armadas do país ao grupo paramilitar Forças de Apoio Rápido (RSF), já dura mais de dois anos e matou dezenas de milhares de pessoas. Analistas do Carnegie Endowment classificam o cenário como uma guerra por procuração, na qual parceiros estratégicos de Washington colocam combustível na fogueira.

O que preocupa os analistas vai além das fronteiras sudanesas. A Etiópia, vizinha do Sudão e também mergulhada em instabilidade interna, pode seguir o mesmo caminho. Se potências regionais continuarem usando conflitos africanos como tabuleiro de xadrez geopolítico, o Chifre da África inteiro tende a virar zona de guerra prolongada.

Por que importa: O Brasil importa fertilizantes do Oriente Médio e da África, e qualquer escalada nessas regiões encarece o custo da produção agrícola brasileira. Instabilidade no Chifre da África também ameaça as rotas comerciais pelo Mar Vermelho, por onde passam navios que abastecem portos do Nordeste. Em ambos os casos, o preço se paga na inflação e no bolso de quem produz e consome no Brasil.

Fontes