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Gaza: famílias despedaçadas mostram que cessar-fogo é só nome no papel

ORIENTE MÉDIO
Gaza: famílias despedaçadas mostram que cessar-fogo é só nome no papel

O cessar-fogo em Gaza foi declarado, mas as bombas não leram o comunicado. Nos últimos dias, a maioria das vítimas registradas pelo Ministério da Saúde palestino veio do bairro Daraj, na Cidade de Gaza, uma das áreas mais antigas e densamente povoadas do território. Enquanto líderes negociam termos em salas distantes, famílias seguem separadas há mais de um ano sem saber se os parentes estão vivos.

O bairro Daraj, no coração da Cidade de Gaza, sempre foi um labirinto de casas antigas, vielas estreitas e comércio local. Ali moram gerações inteiras de uma mesma família, muitas vezes no mesmo quarteirão. Quando os bombardeios atingem Daraj, não é um prédio que cai: é um pedaço inteiro da memória de uma comunidade. O Ministério da Saúde apontou que a maioria das vítimas recentes saiu desse bairro, o que mostra como os ataques continuam concentrados em áreas residenciais.

Uma das histórias que captura esse drama é a de um capitão da Defesa Civil de Gaza, o equivalente local dos bombeiros e socorristas. Ele passou mais de um ano separado da família por causa da guerra, tentando salvar desconhecidos enquanto não sabia se os filhos estavam vivos. Com o anúncio do cessar-fogo, ele tentou se reunir com os parentes, como contou a Al Jazeera English. O capitão não é caso isolado: milhares de famílias em Gaza vivem essa mesma espera, sem notícia, sem corpo para enterrar, sem resposta.

O ponto é que "cessar-fogo" em Gaza virou uma expressão quase técnica, descolada da realidade no chão. As negações diplomáticas seguem, os convoios humanitários enfrentam bloqueios, e os bombardeios não pararam de fato. Para quem mora em bairros como Daraj, a diferença entre guerra e paz é tão tênue quanto a parede de uma casa que já virou escombros. A reconstrução social, acreditar que o vizinho vai voltar, que a escola vai reabrir, que a rua vai ter nome de gente e não de número de prédio destruído, vai ser tão difícil quanto erguer prédios novos.

Por que importa: O conflito em Gaza não é apenas uma tragédia distante. A instabilidade no Oriente Médio afeta o preço do petróleo, que sobe quando a região esquenta, e empurra o dólar para cima. Quem abastece o carro no Brasil ou paga conta de luz sente no bolso quando um cessar-fogo que não cessa mantém o mercado nervoso e os frentistas com o dedo no botão de ajustar o preço da bomba.

Fontes