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Irã: guerra longa, IA e a ilusão de que um empurrão derruba o regime

ORIENTE MÉDIO
Irã: guerra longa, IA e a ilusão de que um empurrão derruba o regime

Países do Golfo Pérsico, como Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, estão acelerando seus investimentos em infraestrutura de inteligência artificial (IA) mesmo com a guerra prolongada contra o Irã. A disputa militar, cada vez mais dependente de capacidade computacional, não freou, e sim impulsionou a corrida tecnológica na região.

A lógica é direta: guerras modernas são travadas com dados e processamento. Um painel do instituto Middle East Institute, centro de pesquisas americano, resumiu a nova equação ao dizer que "a guerra é uma função da computação". Isso significa que drones, sistemas de vigilância e análise de inteligência exigem um poder de processamento colossal, transformando centros de dados em ativos estratégicos tão importantes quanto bases militares.

Nesse cenário, a tese de que basta mais uma pressão para derrubar o regime iraniano é considerada ilusória. "Essa expectativa de que basta mais um empurrão coercivo para o colapso do regime ou econômico, acho que é pensamento mágico", afirma Ali Vaez, analista sênior do Grupo Internacional de Crise. A guerra, portanto, parece estar se consolidando como um conflito de longo prazo, e não uma escalada rumo a um desfecho rápido.

Para os vizinhos ricos do Irã, a resposta é investir em tecnologia. Ruth Berry, diretora de políticas globais da Nvidia, gigante americana de semicondutores, observou que "os imperativos que esses países veem não mudaram. Eles ainda veem isso como uma oportunidade para diversificar suas economias". A demanda por chips e infraestrutura de IA permanece forte, com a guerra atuando como um acelerador, não como um freio.

Por que importa: O Golfo Pérsico é uma das principais fontes de petróleo do mundo. Instabilidade ou conflitos prolongados na região pressionam os preços do barril, que afetam diretamente o bolso do brasileiro. O custo do diesel, um dos principais vilões da inflação no país, sobe quando a tensão geopolítica no Oriente Médio esquenta. A corrida por IA, por sua vez, sinaliza onde os grandes capitais estão fluindo, definindo o futuro da economia global.

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