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Tecnologia·3 min de leitura

IA vira instrumento de guerra e buraco financeiro de US$ 80,7 bilhões

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IA vira instrumento de guerra e buraco financeiro de US$ 80,7 bilhões

A Anthropic, empresa americana que criou o chatbot Claude, registrou um prejuízo líquido de mais de 80,7 bilhões de dólares no primeiro semestre de 2026, segundo documentos da estreia em bolsa (IPO) revisados pelo Wall Street Journal. O número aparece justo quando a companhia se prepara para abrir o capital e pede aos investidores que acreditem no futuro da inteligência artificial. Ao mesmo tempo, a empresa avisou que pode gastar até 750 bilhões de dólares nos próximos anos só para comprar mais capacidade de computação, ou seja, mais data centers e mais chips.

O prejuízo é tão grande quanto parece porque a empresa ainda escolheu dar parte de si mesma de graça. A Anthropic anunciou a criação do Anthropic Public Benefit Fund, uma entidade dedicada ao bem público, que começa com 5% das ações da companhia. Na prática, o fundo cresce junto com a empresa: a cada alta de 50% no valor da companhia acima de uma linha de base, mais 2% podem ser acrescentados, conforme decisão do conselho. Em outras palavras, a Anthropic promete transformar sua eventual fortuna em benefício coletivo, mas hoje só entrega contas no vermelho.

A conta faz sentido se olhar por outro prisma: a corrida pela inteligência artificial é cara porque é uma corrida física, de máquinas, eletricidade e espaço. Quem quer computação em escala precisa construir prédios enormes, ligar usinas e comprar os mesmos processadores disputados por todo o mundo. Por isso uma empresa pode ter receita crescente e ainda assim apagar bilhões por trimestre. O dinheiro queima rápido, e a promessa é de que a máquina, depois de pronta, devolve tudo.

É aí que a história cruza com a geopolítica. Em um painel do Middle East Institute, think tank americano focado no Oriente Médio, especialistas argumentaram que a guerra com o Irã deve empurrar os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita a investir mais, e não menos, na infraestrutura americana de inteligência artificial. O resumo do debate coube em cinco palavras: "Guerra hoje é função de computação", disse o painelista, sênior fellow do instituto. A ideia é simples de entender: quem controla o poder de processamento controla a velocidade com que analisa imagens de satélite, simula ataques e toma decisões.

Os países do Golfo não abandonaram seus planos mesmo com o conflito andando. A alta executiva da Nvidia, empresa que fabrica os chips usados nesse tipo de computação, lembrou que a demanda por infraestrutura segue forte. "Os imperativos que esses países enxergam não mudaram, eles ainda veem isso como uma oportunidade de diversificar suas economias", afirmou Ruth Berry, que lidera a política global da companhia. A lógica dos sauditas e dos emiratinos é antiga e agora ganhou pressa: transformar petróleo em tecnologia, antes que o mundo precise menos do combustível.

Do outro lado do Atlântico, os sinais são de que a inteligência artificial deixou de ser assunto de laboratório para virar assunto de defesa, de estatal de energia e de orçamento público. Enquanto a Anthropic queima bilhões para criar a máquina e os países do Golfo correm para financiar essa mesma máquina por motivo militar, um ponto fica claro: a disputa pela computação virou disputa por poder.

Por que importa: o Brasil não fabrica os chips nem os data centers que sustentam essa corrida, então compra quase tudo em dólar. Quando a guerra mexe com o petróleo do Golfo, o câmbio reage e o hardware de computação importado fica mais caro para empresas brasileiras de tecnologia e para quem monta centros de dados aqui dentro. Em termos de bolso, o mesmo dólar que sobe com a bomba mais cara no posto também encarece a conta de quem contrata nuvem, entrega serviços digitais e mantém empregos nessa área.

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