A coalizão militar liderada pela Arábia Saudita realizou ataques contra instalações de mísseis balísticos dos houthis no Iêmen, destruindo lançadores, túneis e um depósito de armazenamento. A operação é um sinal de que, mesmo com a atenção internacional voltada para o conflito entre Israel e Irã, a guerra por procuração no Mar Vermelho continua quente e ameaça uma das rotas comerciais mais importantes do planeta.
Os houthis, grupo apoiado pelo Irã e baseado no norte do Iêmen, vêm atacando navios comerciais e militares desde que o conflito de Gaza começou, em outubro de 2023. Para eles, os ataques são uma forma de solidariedade com os palestinos. Para o resto do mundo, são uma bomba relógio na rota entre Ásia e Europa, responsável pelo transporte de bilhões em mercadorias todo mês.
Os ataques aéreos da coalizão aos arsenais houthis não são novidade. Desde 2015, quando a Arábia Saudita começou sua campanha militar no Iêmen, esse tipo de operação é comum. O que chama atenção agora é a persistência: mesmo com negociações de trégua em alguns momentos, os houthis seguem desenvolvendo capacidade de mísseis mais sofisticados, e a coalizão segue destruindo o que consegue encontrar.
A realidade é que nenhum dos dois lados parece perto de uma vitória decisiva. Os houthis continuam recebendo tecnologia do Irã, o que significa que mais lançadores podem ser reconstruídos ou trazidos do exterior. A coalizão, por sua vez, não consegue eliminar a ameaça de forma permanente e segue investindo em operações repetidas.
O que torna tudo isso mais complexo é a geografia. O Mar Vermelho é um gargalo: navios vindo da Ásia precisam passar por ali para chegar ao Canal de Suez e, depois, à Europa e à América. Os houthis não controlam toda a rota, mas controlam o suficiente para assustar armadores e aumentar custos de transporte. Quando alguém ataca um navio, os custos sobem, o seguro fica mais caro, e a empresa redireciona navios por uma volta muito mais longa ao redor da África.
Por que importa: o Brasil é importador de petróleo e depende do comércio marítimo global. Quanto mais tensa a situação no Mar Vermelho, mais caro fica trazer qualquer produto do exterior, do combustível ao eletrônico. Além disso, instabilidade prolongada no Iêmen e na região alimenta o risco de escalada com o Irã, o que afeta diretamente a formação de preços de energia em todo o mundo e, consequentemente, a inflação no bolso do brasileiro.
