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Guerra EUA-Irã: custo chega a US$ 47,1 bilhões e medo de escalada ameaça acordos

ORIENTE MÉDIO
Guerra EUA-Irã: custo chega a US$ 47,1 bilhões e medo de escalada ameaça acordos

A guerra dos Estados Unidos contra o Irã já custou pelo menos 47,1 bilhões de dólares até meados de outubro, segundo uma estimativa do Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM, sigla em inglês para a força americana que responde pelo Oriente Médio) enviada ao Congresso americano. O número mostra como o conflito virou um peso cada vez maior para Washington, mesmo com as negociações de paz em andamento. O CENTCOM detalhou ao Legislativo de onde vem a maior parte dessa conta, em meio a debates sobre quanto tempo e dinheiro os EUA pretendem seguir gastando por lá.

Essa conta alto é um lado da pressão. O outro é o medo de que o conflito piore. Países que dependem de combustível importado já se mexem para não serem pegos de surpresa no caso de um novo choque de preços. O presidente da Ucrânia, Volodímir Zelenski, vê esse risco com preocupação: ele teme que uma nova escalada na guerra entre EUA e Irã descarrile as negociações sobre uma trégua na Ucrânia, que seguem em curso. Para ele, mais tensão no Golfo significa menos atenção e menos espaço diplomático para o fim do conflito russo.

As Filipinas são o exemplo mais claro desse pânico logístico. O país importa quase toda a energia que consome e está em negociações com a Arábia Saudita, a Rússia e os Estados Unidos para estocar petróleo em seu território, segundo a ministra de Energia filipina, Sharon Garin. A lista não para por aí: o governo filipino também conversa com Japão, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Austrália. O objetivo é formar reservas estratégicas depois que os ataques israelenses e americanos ao Irã, em fevereiro, sacudiram o mercado.

O plano filipino revela o tipo de problema que uma guerra no Golfo pode causar do outro lado do mundo. A queda na chuva associada ao fenômeno do El Niño deve derrubar a geração hidrelétrica em cerca de 60% e a de energia solar em 20% na primeira metade de 2027. Para repor essa energia, as Filipinas pretendem aumentar a queima de diesel e de gás. Ou seja: com o petróleo ainda caro por causa da guerra, o país precisa comprar mais combustível justamente quando o preço pode disparar.

Os 47,1 bilhões de dólares, por sua vez, dão dimensão da fatura militar que Washington acumula. O valor já é maior do que orçamentos inteiros de defesa de países inteiros e reforça a discussão dentro do Congresso sobre sustentar um conflito de resultado incerto. Cada novo ataque ou ameaça no Golfo tende a empurrar o gasto para cima, ao mesmo tempo em que mantém o mercado de energia no susto.

Por que importa: o Brasil é um exportador de petróleo bruto, mas importa derivados refinados como diesel e gasolina. Quando o preço do barril sobe por causa de uma guerra, isso aparece na bomba de combustível, no frete e, por fim, no preço dos alimentos. Uma escalada maior no Golfo também mexeria com o dólar e com a inflação, duas variáveis que afetam diretamente o bolso do brasileiro.

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