Após três meses de bombardeios e contra-ataques, Estados Unidos e Irã ensaiam os primeiros passos de um acordo para interromper a guerra. Segundo a revista Foreign Policy, negociadores americanos e iranianos aproximaram-se de uma fórmula de cessar-fogo, embora os detalhes exatos continuem sob sigilo. O ex-enviado especial dos EUA para o Irã, Robert Malley, avalia que a administração do presidente Donald Trump tem poucas opções restantes para forçar um desfecho.
A dificuldade não está apenas na mesa de negociações. Na avaliação do Carnegie Endowment, o regime iraniano mantém uma obsessão ideológica por um inimigo externo, elemento central de sua identidade desde a revolução de 1979. Essa fixação transforma qualquer tentativa de paz estrutural em uma aposta frágil, como construir uma casa sobre areia movediça: o acordo pode até ser assinado, mas a base que o sustenta não é sólida. Enquanto o governo de Teerã precisar da hostilidade para justificar sua existência interna, a guerra será sempre uma tentação.
A consequência prática é que qualquer cessar-fogo terá data de validade curta. Mesmo que o presidente Trump consiga anunciar o fim das hostilidades, a estrutura que alimenta o conflito permanece intacta em Teerã.
