Enquanto Washington negocia com o Irã, a cúpula de segurança israelense debate uma operação militar de grande escala contra o Hezbollah, a milícia xiita baseada no Líbano. Segundo o Carnegie Endowment, discussões internas em Tel Aviv assumiram um tom agressivo nas últimas semanas. Para a analista Shira Efron, escrevendo na revista Foreign Affairs, a menos que as negociações da semana mudem fundamentalmente a postura de Israel em relação ao Líbano, a retomada total da guerra será inevitável.
Israel enfrenta uma encruzilhada. O país pode aceitar o risco de combater em duas frentes simultâneas, contra o Irã ao leste e o Hezbollah ao norte, ou pode apostar que uma ofensiva devastadora destruiria a milícia libanesa de uma vez por todas. A lógica por trás da tentação de expandir o conflito é simples: desde os atentados de 7 de outubro de 2023, a tolerância de Israel com ameaças em suas fronteiras encolheu a quase zero. Manter o Hezbollah armado ao norte parece inaceitável para a opinião pública israelense. Mas agir contra o Líbano significa abrir outra frente antes de a atual estar resolvida, algo que sobrecarrega recursos militares e testa a aliança com os Estados Unidos.
Se Israel atacar o Líbano, a guerra regional que americanos e europeus tentam evitar desde março se concretiza. O Hezollah possui mais de 100 mil foguetes apontados para cidades israelenses, e uma ofensiva terrestre no sul do Líbano teria um custo humano elevado para ambos os lados.
