Do outro lado do mundo, duas potências ajustam sua postura militar em ritmos completamente diferentes. No Japão, o ministro da Defesa, Koizumi Shinjiro, transformou uma pasta tradicionalmente técnica em trampolim político. Segundo a revista The Diplomat, o que antes era um cargo menor na hierarquia governamental japonês passou a ser o centro das atenções, com Koizumi usando o debate sobre rearmamento para projetar ambições nacionais. O Japão vive um momento de redefinição de seu papel militar após décadas de constituição pacifista. A ameaça chinesa no mar da China Oriental e a Coreia do Norte com seu arsenal nuclear mudaram o cálculo de Tóquio.
Na Europa, a Ucrânia aguarda sinais sobre o futuro da guerra contra a Rússia. Segundo o CSIS (centro de estudos estratégicos sediado em Washington), o historiador Lawrence Freedman avalia que o conflito entra em uma fase de expectativa sobre como evoluirá nos meses seguintes. A diferença entre Tóquio e Kiev é brutal. O Japão investe na defesa como projeto político nacional, construindo capacidade antes que a guerra chegue. A Ucrância depende de apoio externo para sustentar uma guerra que já está em seu terceiro ano e consome recursos mais rápido do que o Ocidente consegue repor.
A desconexão entre os dois cenários esconde um padrão comum. Tanto o Japão quanto a Ucrânia dependem da mesma pergunta: até que ponto os Estados Unidos garantirão a segurança de aliados distantes. Para Tóquio, a resposta define o tamanho do orçamento militar. Para Kiev, define se haverá munição suficiente para o próximo inverno.
