O líder do governo militar de Mianmar iniciou uma visita de cinco dias à China. É a primeira viagem internacional de Min Aung Hlaing ao país desde que ele assumiu formalmente a presidência, em abril. A visita revela a estratégia de consolidar o apoio de Pequim como principal patrocinador externo do regime. O ditador busca no gigante asiático a sobrevida política que o isolamento ocidental e as sanções econômicas lhe negam.
O governo de Mianmar enfrenta uma guerra civil sangrenta desde o golpe militar de 2021. Grupos armados de oposição controlam grandes extensões territoriais e o exército perde terreno todos os meses. Sem reconhecimento diplomático das democracias ocidentais, a junta militar precisa desesperadamente de armas, dinheiro e apoio diplomático. A China é o único país com peso global disposto a oferecer essa proteção em troca de acesso aos minerais estratégicos da região. Funciona como um contrato de prestígio: Pequim garante a sobrevivência do regime e ganha direitos de exploração.
A aproximação consolida a China como a potência hegemônica no Sudeste Asiático. O presidente chinês, Xi Jinping, expande sua influência sem precisar disparar um único tiro. Mianmar se torna um estado satélite, dependente economicamente de seu vizinho poderoso. A visita fecha o cerco chinês sobre uma região estratégica para o comércio marítimo global. O movimento demonstra como regimes isolados encontram em Pequim uma alternativa viável ao eixo diplomático liderado pelos Estados Unidos.
