Os países do G7 (grupo das sete maiores economias avançadas) anunciaram um compromisso de fornecer mais sistemas de defesa aérea à Ucrânia. A declaração conjunta destaca os sucessos do exército ucraniano no campo de batalha e sugere um novo momento na guerra contra a Rússia. Em paralelo à ajuda militar, o Estado-Maior ucraniano confirmou o ataque a um petroleiro russo no Mar Negro. O navio faz parte da chamada "frota sombra", embarcações usadas por Moscou para burlar sanções ocidentais e vender petróleo.
A explicação para esse cenário está na divisão do trabalho diplomático. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, vem pedindo por mais armas antiaéreas de forma incansável. Os países europeus cumprem essa agenda e fornecem os armamentos para que a Ucrânia continue lutando. A figura do presidente americano, no entanto, funciona como uma variável imprevisível nesse apoio contínuo. Trump evitou responder a uma pergunta direta de um jornalista sobre se Putin é o culpado pela guerra em curso. A omissão é um desvio da política externa tradicional e enfraquece o poder de barganha de Kiev.
O apoio militar ganha contornos de incerteza política. Se o fornecimento de mísseis antiaéreos depende da coordenação do G7, a vontade política para manter a pressão sobre Moscou depende da Casa Branca. A ambiguidade de Trump sobre a responsabilidade de Putin cria um vácuo de liderança no Ocidente. A Ucrânia recebe armas para se defender, mas perde a garantia de que o líder da maior potência mundial está do seu lado na disputa diplomática. O que acompanhar é o desencontro entre o fornecimento de armas e a falta de pressão política real sobre o Kremlin.
