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Oriente Médio·2 min de leitura

O ataque que fortaleceu o inimigo

ORIENTE MÉDIO
O ataque que fortaleceu o inimigo

O presidente americano, Donald Trump, assinou nesta semana um memorando de entendimento com o Irã após meses de escalada militar. O acordo conjuga esforços de Washington e Jerusalém, mas o ataque conjunto de Estados Unidos e Israel a alvos iranianos produziu o efeito oposto ao planejado: em vez de enfraquecer o regime de Teerã, a ofensiva fortaleceu a ala mais radical do poder local. O documento agora exige o fim de todas as guerras no Oriente Médio e coloca os EUA na desconfortável posição de ter que domesticar aliados e inimigos ao mesmo tempo. A revista Foreign Affairs publicou uma análise do pesquisador Alex Citrinowicz que sintetiza o problema: a ofensiva militar sufocou uma transformação interna em curso no Irã e não fraturou o sistema, mas reforçou a posição de seus líderes mais linha-dura.

A lógica é conhecida de quem estuda conflitos. Quando uma nação é atacada por uma potência estrangeira, a população costuma se unir em torno de seus governantes, mesmo os impopulares. A ofensiva militar funcionou como um oxigênio para a facção mais extremista do governo iraniano. Líderes moderados que defendiam uma aproximação com o Ocidente perderam força política interna. A pressão externa abortou uma mudança de regime que ocorreria por dentro. O regime agora busca consolidar esse ganho impulsionando demandas diplomáticas mais amplas por toda a região. O primeiro ponto do memorando assinado por Trump exige o fim de todas as guerras no Oriente Médio, inclusive no Líbano, onde Israel combate o Hezbollah, braço armado iraniano.

O resultado é um pesadelo diplomático para os Estados Unidos. O governo Trump quer o memorando assinado a qualquer custo para vender uma vitória eleitoral. Isso significa que Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, provavelmente sofrerá uma pressão sem precedentes de Washington para abandonar o sul do Líbeno. A própria retórica do presidente americano já aponta nesse sentido: Trump afirmou que os integrantes do Hamas, grupo palestino que controla Gaza, "estão se comportando bem". A mudança brusca de tom revela a urgência em fechar acordos. A tensão permanente no Golfo Pérsico, entretanto, permanece sem resposta clara.