A OTAN anunciou na última terça-feira a decisão de modernizar suas capacidades nucleares. A informação foi confirmada pela agência Reuters. A atualização das ogivas e dos mísseis representa uma resposta direta à escalada de ameaças estratégicas da Rússia e marca uma inflexão na postura de dissuasão do bloco ocidental. Dissuasão é a estratégia de impedir ataques pelo medo de uma retaliação devastadora. É o equivalente a travar uma porta e deixar uma arma à vista: ninguém entra porque sabe que a reação será letal.
A Rússia invadiu a Ucrânia e, desde então, ameaça rotineiramente usar armas nucleares contra países europeus. As antigas bombas da aliança ocidental, em grande parte herança da Guerra Fria, já não causavam o mesmo receio em Moscou. O presidente russo, Vladimir Putin, apostava que o Ocidente não teria estômago para uma confrontação militar de alto custo. A modernização do arsenal muda essa equação. A aliança militar liderada pelos EUA está enviando um recado claro de que sua capacidade de destruição está ativa, atualizada e pronta para uso.
A consequência prática é o fim do desarmamento como horizonte global. Durante três décadas, as potências reduziram seus estoques nucleares. Esse movimento acabou. A Europa volta a ser um continente dividido por armas atômicas de ambos os lados. O presidente da França, Emmanuel Macron, e a chanceler alemã, Friedrich Merz, já haviam sinalizado a necessidade de uma defesa europeia mais robusta, e a decisão da OTAN coroa essa preocupação. O que se monitora agora é a reação do Kremlin, que pode responder com novos testes de mísseis e deposição de ogivas em países vizinhos.
