A Argélia descobriu a maior reserva de lítio do continente africano, com estimativa de 6,5 milhões de toneladas do mineral. A cifra coloca o país norte-africano no centro da disputa global por insumos de energia limpa, até então dominada por poucos países.
O lítio é componente essencial das baterias que alimentam celulares, notebooks e, principalmente, veículos elétricos. À medida que o mundo acelera a transição dos combustíveis fósseis para fontes menos poluentes, o mineral virou artigo estratégico. Hoje, a cadeia global de refino e produção dessas baterias passa quase inteiramente pela Ásia, com a China exercendo controle predominante sobre o processamento industrial.
A descoberta argelina tem potencial para redesenhar esse mapa. Reservas dessa magnitude elevam a Argélia a patamar de grandes produtores mundiais e abrem caminho para que o país negocie processamento e industrialização local, em vez de se limitar a exportar matéria-prima bruta. Outras nações africanas já caminham na mesma direção. Zimbabwe, Namíbia, Gana e Madagascar também têm depósitos relevantes e começam a atrair investidores estrangeiros em busca de alternativas ao monopólio asiático.
A corrida pelo lítio africano acende uma disputa geopolítica que lembra a história do petróleo no século 20. Estados Unidos, União Europeia e China já aumentam presença diplomática e financeira no continente, buscando contratos de extração e refino. Para os governos africanos, o desafio é evitar que a riqueza do subsolo se transforme apenas em exploração estrangeira, como ocorreu em ciclos anteriores do colonialismo econômico.
Por que importa: o Brasil também tem lítio de qualidade no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, e acompanha de perto essa reconfiguração do mercado. Se a oferta global aumentar com a entrada da África, os preços do mineral tendem a cair. Isso pode baratear baterias no Brasil, acelerando a produção nacional de carros elétricos e tornando esse tipo de veículo mais acessível ao consumidor brasileiro.
