Os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita assinaram um acordo comercial bilateral de 200 bilhões de dólares. A parceria envolve áreas estratégicas como energia, tecnologia e mineração. É o maior pacto econômico já fechado na região do Golfo Pérsico.
O acerto mostra como os países produtores de petróleo estão se unindo para ganhar força política e reduzir a dependência do Ocidente. Em vez de agirem apenas como fornecedores de matéria-prima, essas nações estão usando o capital da energia para criar um bloco de poder próprio. A união econômica dá a eles peso para negociar em igualdade com os Estados Unidos e a Europa.
No mesmo sentido, o Brics acelera a criação de um sistema financeiro paralelo. Líderes do bloco discutem em Brasília um mecanismo de pagamento alternativo à rede SWIFT, que hoje domina o comércio global. A SWIFT é o sistema de mensagens bancárias que conecta instituições do mundo todo e realiza transferências em dólar. Um caminho fora desse modelo abre caminho para o comércio direto entre moedas nacionais, sem a intermediação dos Estados Unidos.
As duas movimentações seguem a mesma lógica. O Oriente Médio e o restante do Sul global querem autonomia para comprar, vender e financiar sem precisar da permissão de potências ocidentais. O controle sobre o petróleo e o crescimento dos mercados emergentes viraram ferramentas para mudar as regras do jogo internacional. O eixo de poder econômico deixa de ser exclusivamente ocidental e ganha contornos multipolares.
Por que importa: o Brasil está no centro dessa virada como membro do Brics e parceiro comercial direto dos países árabes. Um sistema de pagamentos sem dólar reduz os custos de câmbio nas exportações brasileiras de carne e grãos para o Golfo. Além disso, a formação de novos blocos econômicos abre espaço para o país fechar acordos comerciais em condições mais favoráveis. Num mundo com menos influência norte-americana sobre o dinheiro, o real e a economia nacional ganham novas possibilidades de inserção global.
