Brasil e União Europeia voltaram a negociar o acordo comercial entre o bloco sul-americano e os europeus com um cronograma acelerado para fechar o tratado até dezembro de 2025. O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciaram a decisão após cúpula em Montevidéu, reacendendo uma conversa que durava há duas décadas. A meta é finalmente assinar o documento após anos de paralisia.
A pressa tem explicação. Estados Unidos e China radicalizaram suas disputas econômicas nos últimos anos, adotando tarifas agressivas e subsídios gigantescos para atrair indústrias. Com as duas maiores economias do mundo se fechando em blocos rivais, países de peso intermediário precisam buscar alternativas. O tratado une quatro nações do Mercosul aos 27 países da União Europeia num mercado de mais de 700 milhões de consumidores.
Para a Europa, o acordo abre portas a matérias-primas e alimentos da América do Sul, reduzindo a dependência chinesa. Para o Mercosul, significa acesso preferencial a um dos mercados mais ricos do planeta. Ambos os lados enxergam no tratado uma âncora comercial num cenário global cada vez mais dividido entre Washington e Pequim.
Por que importa: um acordo comercial dessa magnitude pode baratear máquinas e equipamentos importados pela indústria brasileira e abrir mercados para carnes, grãos e etanol. Produtos europeus como queijos e vinhos tendem a ficar mais baratos nas prateleiras brasileiras. Em contrapartida, a abertura das compras públicas e as mudanças nas regras ambientais continuam gerando forte debate interno no país.
