Olh no Mundo
Geopolítica & Economia
O Essencial de Hoje +++
Brent em US$ 87.38/bbl·Risco baixo·Brent em US$ 87.38/bbl·Risco baixo·
Brasil·2 min de leitura

Brasil acelera acordo Mercosul-União Europeia enquanto Argentina reequilibra as contas

BRASIL
Brasil acelera acordo Mercosul-União Europeia enquanto Argentina reequilibra as contas

O governo brasileiro pressiona para fechar até dezembro de 2025 o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, bloqueado há anos por desconfianças políticas e tarifas cruzadas. O movimento ganha fôlego justo quando a Argentina, principal parceiro do bloco sul-americano, dá sinais consistentes de estabilização econômica após anos de crise. A combinação cria uma janela inédita para a América do Sul se repositionar no comércio global.

Na liderança da cúpula do Mercosul, o Brasil acelerou nos últimos meses as tratativas com os europeus. A expectativa é assinar o acordo ainda neste ciclo de negociações, encerrando duas décadas de conversas intermitentes. O pacto uniria mercados que somam cerca de 780 milhões de consumidores. Para o Brasil, a prioridade é abrir mercado para produtos agrícolas e industriais, além de atrair investimentos europeus em setores como infraestrutura e energia.

Do outro lado do Rio da Prata, a Argentina vive um capítulo menos turbulento. O governo de Javier Milei registrou superávit fiscal primário pelo terceiro trimestre consecutivo, resultado direto da política de austeridade que cortou gastos públicos de forma drástica. A inflação mensal, que chegou a superar dois dígitos, recuou para 2,1% em junho. Os números ainda são altos para padrões internacionais, mas representam alívio significativo para uma economia que viveu hiperinflação e escalada de preços no início do ano.

A recuperação argentina tem peso direto nas negociações do Mercosul. Um sócio economicamente estável reduz o risco político do bloco e facilita a apresentação de uma frente unificada nas mesas de negociação com a União Europeia. Historicamente, a instabilidade de Buenos Aires arrastava a credibilidade de todo o Mercosul. Com contas equilibradas, a Argentina volta a ser tratada como contraparte previsível.

O contexto externo é o principal catalisador desse movimento. O mundo está cada vez mais dividido por blocos comerciais, com os Estados Unidos e a China disputando influência e impondo barreiras tarifárias. Para os países sul-americanos, depender de poucos mercados é estratégia cada vez mais arriscada. O acordo com a União Europeia é visto como uma forma de diversificar exportações, ampliar fluxos de investimento e reduzir a exposição às tensões entre as duas maiores economias do planeta.

As resistências ainda existem. Na Europa, setores agrícolas temem a concorrência dos produtos sul-americanos. No Mercosul, há preocupação com a entrada de manufaturados europeus a preços competitivos. Diálogo ambiental e cláusulas de compras públicas seguem como pontos sensíveis, mas a pressão por um fechamento político em ambos os lados é a maior em anos.

Por que importa: O acordo Mercosul-União Europeia pode baratear insumos e maquinário importados pela indústria brasileira, reduzindo custos de produção. Para o consumidor, pode significar preços menores de bens como vinho, queijo e eletrônicos europeus. E, se a estabilidade da Argentina se mantiver, o comércio bilateral com o Brasil tende a crescer, impulsionando empresas dos dois lados da fronteira que dependem desse fluxo.

Fontes