A Microsoft fechou US$ 20 bilhões em contratos com três usinas nucleares modulares para abastecer seus datacenters de inteligência artificial generativa. O anúncio coincide com a decisão da Apple de equipar o futuro iPhone 17 com um chip dedicado a processar modelos de linguagem diretamente no aparelho. A corrida pela inteligência artificial deixou de ser uma disputa apenas de software e virou uma questão de infraestrutura energética e soberania de dados.
Treinar e rodar modelos de linguagem consome uma quantidade de eletricidade sem precedentes. Cada vez que um usuário faz uma pergunta a um assistente virtual, dezenas de servidores precisam trabalhar juntos para gerar a resposta. Para ter escala sem queimar combustíveis fósseis, a gigante fundada por Bill Gates aposta nas chamadas usinas nucleares modulares. São reatores menores e mais baratos que as usinas tradicionais, projetados para fornecer energia constante e sem emissões de carbono.
Enquanto a Microsoft resolve o problema de energia tentando abastecer datacenters cada vez maiores, a Apple adota o caminho oposto. O iPhone 17 virá com o chip A19, uma peça de hardware dedicada a fazer o raciocínio da inteligência artificial dentro do próprio telefone. Com isso, o processamento deixa de acontecer em servidores remotos e passa a ocorrer na palma da mão do usuário.
A estratégia de Cupertino tem uma motivação dupla. Processar a informação no próprio aparelho alivia a sobrecarga nos datacenters globais e reduz a demanda por eletricidade. O movimento também transforma a privacidade em diferencial comercial, já que os dados pessoais não precisam mais viajar pela internet para serem analisados.
Juntas, as duas manobras revelam como a disputa pelo futuro da inteligência artificial está mudando de natureza. O desafio não é mais apenas escrever o melhor código ou treinar o modelo mais inteligente. A questão central virou como garantir gigawatts de eletricidade limpa e onde fisicamente o processamento vai acontecer.
Por que importa: o Brasil é um jogador estratégico nesse tabuleiro global. Um quarto de toda a energia elétrica consumida no país vem de usinas nucleares e o restante é majoritariamente de fontes renováveis, como hidrelétricas, eólicas e solares. Isso coloca o território nacional em uma posição privilegiada para hospedar os datacenters sedentos por energia limpa das grandes empresas de tecnologia. Mais infraestrutura digital no país significa atração de investidores estrangeiros, geração de empregos qualificados e desenvolvimento de polos tecnológicos regionais.
