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Chips viram o novo petróleo: Europa taxa China e Coreia do Sul ultrapassa Japão na corrida tecnológica

TECNOLOGIA
Chips viram o novo petróleo: Europa taxa China e Coreia do Sul ultrapassa Japão na corrida tecnológica

A União Europeia impôs tarifas de 35% sobre semicondutores chineses sob acusação de dumping, a prática de vender produtos abaixo do custo para dominar o mercado. Pequim reagui imediatamente e promete retaliar. A medida marca uma escalada na guerra comercial global e evidencia uma corrida geopolítica que já define quem comando a economia mundial.

Os semicondutores são os "cérebros" de praticamente tudo o que funciona com energia. Estão no celular, no carro, no avião e nos satélites. Por isso, deixaram de ser apenas componentes eletrônicos e passaram a ser tratados como ativos estratégicos de segurança nacional. Quem domina a fabricação desses pequenos fragmentos de silício detém uma vantagem econômica e militar sobre as demais nações.

A Europa acusa a China de usar subsídios maciços do Estado para inundar o mercado internacional com chips baratos. A tática eliminaria concorrentes locais e concentraria a produção em território chinês. A tarifa de 35% visa nivelar a competição. O problema é que a China raramente aceita sanções sem responder na mesma moeda, o que aumenta o risco de um ciclo de retaliações comerciais entre dois dos maiores blocos econômicos do planeta.

Enquanto a briga comercial se acirra, a tecnologia avança em ritmo acelerado na Ásia. A gigante sul-coreana Samsung iniciou a produção em massa de chips avançados de 1.4 nanômetro, recuperando a liderança de um setor historicamente dominado por potências vizinhas. Com esse salto tecnológico, a Coreia do Sul ultrapassa o Japão na fabricação de processadores cada vez menores e mais eficientes. A redução de escala é o grande objetivo da indústria, pois permite máquinas mais potentes e com menor gasto de bateria.

A corrida por essa miniaturização extrema funciona como uma correia de transmissão da inovação. O nanômetro mede o tamanho dos componentes dentro do chip e quanto menor essa dimensão, mais transistores cabem no mesmo espaço. Isso significa telefones que processam dados mais rápido, automóveis mais seguros e inteligência artificial mais robusta. Ao alcançar esse padrão de produção em massa, a Samsung garante à Coreia do Sul um lugar de destaque no abastecimento do futuro digital.

O posicionamento da Coreia do Sul mostra como a geografia da tecnologia está mudando. A liderança industrial passa a requerer não apenas conhecimento técnico, mas alinhamento político e fortalecimento de cadeias de suprimento domésticas. Estados Unidos, União Europeia, Japão, China e Coreia do Sul correm para garantir o controle de cada etapa do processo produtivo.

Por que importa: o Brasil importa praticamente todos os semicondutores que consome e depende diretamente desse mercado internacional. Quando tarifas de 35% ou tensões comerciais aumentam o custo dos chips lá fora, a conta chega ao consumidor brasileiro na forma de celulares, carros e eletrodomésticos mais caros. Além disso, a valorização do dólar nessas crises de comércio internacional pressiona a inflação local e encarece a produção da indústria nacional.

Fontes