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China aposta US$ 50 bilhões em chips próprios enquanto aliados ocidentais se unem para contê-la

INDO-PACÍFICO
China aposta US$ 50 bilhões em chips próprios enquanto aliados ocidentais se unem para contê-la

A China anunciou um investimento de US$ 50 bilhões para produzir semicondutores domésticos e reduzir sua dependência de tecnologia estrangeira. O movimento é direto: Pequim quer fabricar seus próprios chips em escala avançada para sistemas de inteligência artificial, justamente o campo onde a disputa com o Ocidente se acirra mais. Enquanto isso, Coreia do Sul e Japão assinaram um acordo de cooperação para desenvolver juntos tecnologias de chips e inteligência artificial, numa clara jogada para manter a vantagem tecnológica do lado ocidental.

A corrida não é nova, mas ganhou urgência. Há anos a China depende de chips importados para quase tudo, desde celulares até data centers que rodam inteligência artificial. Esses chips vêm principalmente de aliados dos EUA, como Taiwan e sul-coreanos. Os americanos e europeus já tentam apertar o cerco: há sanções que limitam a venda de tecnologia de ponta para Pequim. A resposta chinesa é simples: não ficar refém. Com US$ 50 bilhões, Pequim quer desenvolver sua própria cadeia de produção e alcançar o que a indústria chama de escala 3 nanômetros, que é basicamente a miniaturização máxima dos circuitos (quanto menor o nanômetro, mais poderoso e eficiente o chip, e mais caro é produzi-lo).

Enquanto a China investe pesado em autonomia, Coreia do Sul e Japão apostam na união. O acordo entre os dois países foca em duas frentes: fortalecer a cadeia de produção e distribuição global de semicondutores e trabalhar junto no desenvolvimento de inteligência artificial. A mensagem é clara: não deixar a China ficar sozinha no topo da tecnologia. Historicamente rivais, os dois países reconhecem que a ameaça chinesa é maior que qualquer diferença entre eles.

O que está em jogo é o controle sobre o futuro. Inteligência artificial não funciona sem chips potentes. Quem controlar a produção de chips controla a IA, e quem controla a IA controla boa parte da economia e da defesa do século 21. Por isso China, Coreia do Sul, Japão e EUA investem bilhões nessa indústria. Não é só negócio, é poder.

A tecnologia de 3 nanômetros mencionada no plano chinês é um bom exemplo do tamanho do desafio. Imagine um transistor (a unidade básica de um chip) do tamanho de um fio de cabelo. Agora reduza ainda mais. Muito mais. Os 3 nanômetros são tão pequenos que lidar com eles exige máquinas de precisão extrema, matérias-primas raríssimas e décadas de experiência. Taiwan e sul-coreanos dominam isso hoje. A China está décadas atrás. Por isso o investimento é tão grande e o plano tão ambicioso.

O cenário que se desenha é de fragmentação tecnológica. De um lado, China. Do outro, EUA, Japão, Coreia do Sul e aliados europeus. Cada bloco tentando ser autossuficiente. É como uma Guerra Fria digital, onde a arma é o semicondutor e o campo de batalha é a inteligência artificial.

Por que importa: A corrida de chips afeta direto o bolso do brasileiro. Quando a China consegue produzir seus próprios semicondutores em massa, o mercado global fica mais competitivo, e há chances de barateamento de eletrônicos (celulares, computadores, tablets). Mas se o Ocidente apertar ainda mais as sanções para impedir o avanço chinês, componentes ficam mais caros e escassos, o que encarece qualquer dispositivo eletrônico que o Brasil importa. Além disso, empresas brasileiras que usam serviços de computação em nuvem e inteligência artificial podem sentir o impacto: quanto mais caro o chip, mais caro o serviço que roda nele. É assim que uma disputa geopolítica em terras asiáticas chega até a fatura digital de uma pequena empresa em São Paulo.

Fontes