A aliança militar ocidental liderada pelos EUA definiu, em sua cúpula de Vilnius, novos protocolos de defesa cibernética para responder conjuntamente a ataques contra infraestrutura crítica. O alerta veio em tempo: agências de inteligência britânicas denunciaram que vídeos e áudios falsos gerados por inteligência artificial representam uma ameaça crescente às eleições, enquanto um ataque a um hospital na Alemanha sequestrou dados de meio milhão de pacientes e paralisou operações por três dias.
A ameaça é diferente daquela que a OTAN conheceu durante a Guerra Fria. Não vem de um inimigo identificável em tanques e aviões, mas de grupos sem rosto operando em servidores em qualquer lugar do planeta. Um vírus sequestrante consegue fechar um hospital inteiro. Um vídeo falso pode derrotar um governo na urna. E tudo isso acontece em minutos, em tempos de paz formal.
O hospital alemão atacado não recuperou acesso aos seus computadores por três dias. Pacientes tiveram procedimentos cirúrgicos adiados. Investigadores rastrearam o ataque a um grupo russo de cibercriminosos. O caso ilustra o tamanho do problema: hospitais, redes elétricas, sistemas bancários e portos dependem de máquinas conectadas à internet, todas vulneráveis. Um vírus sequestrante não precisa de autorização política para atacar. Só precisa de uma falha de segurança.
A agência de inteligência britânica alertou que vídeos e áudios falsos criados por inteligência artificial podem viralizar antes que agências de verificação consigam desmentir. Um vídeo de um candidato dizendo algo que nunca disse, distribuído em redes sociais uma semana antes da eleição, contamina a votação. A OTAN reconhece que não há defesa militar contra isso. Daí a necessidade de protocolos conjuntos: se um ataque acontecer em um país membro, os outros precisam reagir como se fosse um ataque a todos.
Os novos planos estabelecem quem responde, como responde e com que velocidade. Antes, cada nação agia sozinha. Agora, a aliança trata ataques cibernéticos à infraestrutura crítica da mesma forma que trata ataques convencionais. É uma mudança de guerra: deixa de ser ofensiva e passa a ser defensiva e coletiva.
Por que importa: Os bancos brasileiros processam milhares de transações por segundo. As subestações que fornecem energia para São Paulo e Rio estão conectadas à internet. As urnas eletrônicas do Brasil dependem de código de software. Se a OTAN não estabelecer regras e defesas comuns contra ataques cibernéticos, a instabilidade digital pode atingir em cheio a economia brasileira. Um ataque bem-sucedido a um banco grande paralisa o sistema de pagamentos do país. Um ataque a uma subestação deixa cidade inteira no escuro. Um vídeo falso bem distribuído semanas antes de uma eleição contamina votos. O Brasil não está fora dessa guerra. Está só esperando que ela chegue.
