Israel e Hamas concluíram no sábado (25) a segunda rodada de trocas entre reféns israelenses e prisioneiros palestinos em Gaza, sem grandes incidentes, mantendo vivo o cessar-fogo firmado uma semana antes. A negociação da fase 2 do acordo, que começou nesta segunda, vai decidir se a trégua vira paz durável ou apenas uma pausa no conflito.
A primeira fase do acordo prevê trocas graduais: reféns israelenses saem dos túneis e das casas onde estão mantidos, e em troca Israel liberta prisioneiros palestinos de suas cadeias. Cada rodada é um teste de confiança entre partes que não confiam umas nas outras. Duas trocas seguidas sem falhas não são detalhe: são a evidência mais concreta de que os mediadores (Egito, Catar e Estados Unidos) conseguiram destravar um mecanismo que já fracassou outras vezes.
O desafio agora muda de natureza. A fase 1 é um roteiro fechado, com etapas datas marcadas. A fase 2 é território desconhecido: exige negociar questões que adiaram de propósito, entre elas a retirada definitiva das tropas israelenses de Gaza e o futuro da governança do território, além da libertação dos reféns que ainda restam. É aí que o acordo pode engasgar.
A lógica da negociação lembra uma escala de corda: cada lado só avança se o outro também avançar. O Hamas quer o fim da guerra e a reconstrução de Gaza. Israel exige a desmilitarização do grupo e o retorno de todos os reféns. Nenhum desses objetivos é fácil de conciliar, e é por isso que a fase 2 é considerada o verdadeiro teste do acordo.
Enquanto a negociação avança, o efeito já se sente nos mercados. Cada dia de trégua reduz o risco de uma escalada regional que envolveria Irã e grupos aliados, e isso tira pressão do preço do petróleo, que nos últimos meses embutia um prêmio de prudência por causa da guerra.
Por que importa: o Brasil importa mais da metade do petróleo que consome, e o preço internacional atravessa a refinaria até a bomba do posto. Uma trégua que resiste ajuda a segurar o custo dos combustíveis, alivia a inflação e, com ela, a pressão sobre juros e câmbio. Se a fase 2 fracassar e a guerra voltar, esse alívio pode evaporar rápido, e o efeito aparece no bolso do brasileiro.
