Olh no Mundo
Geopolítica & Economia
O Essencial de Hoje +++
Brent em US$ 87.38/bbl·Risco baixo·Brent em US$ 87.38/bbl·Risco baixo·
Geopolítica·2 min de leitura

Alemanha decide o rumo da Europa: a eleição que chega na pior hora para o continente

GEOPOLÍTICA
Alemanha decide o rumo da Europa: a eleição que chega na pior hora para o continente

A Alemanha, maior economia da União Europeia, vai às urnas em fevereiro para escolher um novo governo federal, e a disputa entre a CDU (partido conservador de centro-direita), a AfD (partido de extrema direita) e a coalizão governista dominou a pauta política europeia nas últimas semanas. A eleição acontece no momento mais delicado da guerra na Ucrânia e da pressão comercial dos Estados Unidos, e o resultado vai redefinir o equilíbrio de poder dentro do bloco europeu.

O tema central da campanha é a migração, uma pauta que mobiliza o eleitor alemão há anos e ganhou ainda mais força depois de uma série de ataques que abalaram o país. Mas, segundo a reportagem da Deutsche Welle, o debate sobre imigração não é apenas doméstico: ele também funciona como ferramenta geopolítica. Moscou tem interesse em manter o tema em ebulição, porque quanto mais dividida a opinião pública alemã, mais fraca tende a ser a resposta europeia à guerra na Ucrânia.

A explicação é simples. A Alemanha é o país que mais dinheiro e armas destinou à Ucrânia dentro da Europa. Se o novo governo recuar nesse apoio, a pressão sobre os demais países do bloco aumenta, e a União Europeia perde sua âncora política e financeira no conflito. É por isso que, de Bruxelas a Varsóvia, todos os olhos estão voltados para o eleitorado alemão.

Há ainda um segundo ingrediente: Donald Trump. O presidente americano aperta o cerco comercial contra a Europa e cobra que os europeus assumam mais custos de sua própria defesa. Uma Alemanha voltada para dentro, discutindo migração, tende a ter menos fôlego para responder a essas exigências. Uma Alemanha mais alinhada com Washington, por outro lado, pode mudar o tom das negociações comerciais do bloco inteiro.

A disputa triangular ajuda a entender o que está em jogo. A CDU, liderada pela tradição centrista alemã, aposta em endurecimento controlado da política de imigração sem romper com o compromisso europeu. A AfD cresce com um discurso duro contra migrantes e cobra distância do apoio à Ucrânia. A coalizão governista tenta sobreviver defendendo seu registro. Cada cenário de vitória desenha uma Europa diferente: mais unida, mais fragmentada ou mais hesitante.

Por que importa: a Alemanha é o maior parceiro comercial da Europa com o Brasil e um dos maiores investidores estrangeiros instalados aqui, com montadoras e indústrias que empregam centenas de milhares de brasileiros. Um governo alemão voltado para dentro significa menos investimento e menos comércio. E, se a eleição enfraquecer a Europa diante da guerra e da disputa comercial dos EUA, o efeito aparece no dólar, na inflação e no custo do crédito no Brasil.

Fontes