Israel e Hamas começaram, em 19 de janeiro, a trocar prisioneiros prevista no acordo de cessar-fogo em Gaza, o primeiro passo concreto de um plano que divide a saída da guerra em fases. A data marcou o fim de quinze meses de combates que devastaram o território palestino e o início de uma trégua que, na prática, só está garantida até agora pela primeira etapa.
O acordo funciona como um calendário de trocas: enquanto Israel liberta presos palestinos, o Hamas devolve reféns capturados no ataque de 7 de outubro de 2023, que deu início ao conflito. Cada rodada de trocas concluída mantém a trégua de pé por mais alguns dias. É um arranjo que sobrevive etapa por etapa, sem que nenhuma das partes tenha se comprometido, de forma definitiva, com o fim da guerra.
O problema está justamente na fase 2, que é a mais delicada. É ela que deve negociar a libertação dos reféns restantes, a retirada completa das tropas israelenses de Gaza e, em última instância, o encerramento definitivo do conflito. As negociações sobre essa etapa seguem frágeis, segundo a BBC, e não há garantias de que Israel e Hamas cheguem a um entendimento.
Os obstáculos são grandes. Israel exige que o Hamas não continue a governar Gaza depois da guerra, algo inaceitável para o grupo palestino. O Hamas, por sua vez, quer garantias de reconstrução do território, praticamente destruído pelos bombardeios. Entre mediadores como Catar e Egito, o esforço é manter as conversas vivas mesmo quando as trocas entram em disputas sobre nomes, prazos e condições.
Se as negociações da fase 2 falharem, o risco é concreto: o cessar-fogo desaba e Israel e Hamas voltam ao combate aberto. Para as centenas de milhares de palestinos desalojados em Gaza, isso significaria perder a única pausa em mais de um ano de guerra. Para as famílias dos reféns, a expectativa de reencontro voltaria ao limbo.
Por que importa: o Brasil acompanha de perto o desenrolar do conflito, que já provocou crises diplomáticas e humanitárias com efeitos globais. Uma ruptura do cessar-fogo tende a elevar a tensão no Oriente Médio, pressionar o preço do petróleo e, por consequência, o câmbio e a inflação por aqui. Além disso, o país abriga comunidades com famílias diretas na região, para quem cada fase concluída é a esperativa de paz se firmando.
