Donald Trump assumiu a presidência dos Estados Unidos em 20 de janeiro e começou o novo mandato assinando uma onda de decretos executivos sobre imigração, energia e inteligência artificial. Na primeira semana, ele já mostrou a principal arma do jogo: a ameaça de tarifas de 25% sobre importações. O alvo imediato foi a Colômbia, que cedeu em menos de um dia e aceitou receber voos de deportados americanos, conforme relatou o Financial Times. A crise durou menos que uma novela capítulo, e a lição ficou clara: Washington pretende usar o comércio como instrumento de pressão política.
Do outro lado do Pacífico, Pequim se prepara para o mesmo embate com uma estratégia diferente. O Banco Popular da China, o banco central do país, sinalizou mais estímulos monetários para sustentar a meta oficial de crescimento de 5% em 2025, segundo o South China Morning Post. A lógica é simples de entender: se o mundo vai comprar menos produtos chineses por causa das tarifas, é preciso que os consumidores chineses compensem essa perda consumindo mais dentro do país.
Esses dois movimentos são dois lados da mesma disputa. Trump aperta por fora, dificultando a vida do exportador chinês. A China se protege por dentro, blindando o próprio mercado doméstico para resistir à pressão externa. É como um cabo de guerra em que um lado puxa a corda e o outro finca os pés mais firmemente no chão.
O mercado chinês já deu sinais de nervosismo. Segundo a Bloomberg, o fundo soberano chinês aumentou suas participações em fundos de investimento domésticos para conter a queda das bolsas após o choque causado pela DeepSeek nos mercados globais. Ou seja, além das tarifas, Pequim também precisa lidar com a volatilidade financeira interna.
Enquanto isso, a elite econômica mundial se reuniu no Fórum Econômico Mundial, em Davos, com inteligência artificial e geopolítica dominando a agenda. Trump falou ao evento por satélite, e o presidente argentino Javier Milei defendeu a desregulação econômica. O encontro refletiu o clima da hora: governos e empresas tentando entender as regras de um jogo que mudou de novo.
Por que importa: a disputa comercial entre as duas maiores economias do mundo mexe com o preço de tudo que o Brasil importa e exporta. Tarifas americanas mais agressivas podem desviar comércio para cá, com a China comprando mais soja e minério brasileiros, mas também pressionam a economia global, o que enfraquece commodities e faz o dólar subir. No fim das contas, esse cabo de guerra entre Washington e Pequim chega ao bolso do brasileiro no preço da bomba de combustível, do supermercado e das parcelas financiadas.
