A Ucrânia intensificou ataques com drones contra refinarias de petróleo na Rússia, atingindo a capacidade do país de transformar crude em combustível. O alvo mudou: mais do que tanques e tropas, Kiev agora mira a máquina que financia a invasão. A informação é do jornal britânico The Guardian.
A lógica da nova estratégia é direta. A guerra no front está praticamente travada, com poucos avanços territoriais de qualquer lado. Sobrou à Ucrânia outra via de pressão: atacar o petróleo, principal fonte de receita do governo russo. Cada refinaria danificada significa menos diesel e gasolina disponíveis e menos dinheiro entrando nos cofres que sustentam o esforço de guerra de Moscou.
Há uma analogia simples para entender o movimento. Imagine uma luta em que um dos boxeadores não consegue derrubar o adversário no ringue. Ele passa, então, a atacar o bolso do oponente, cortando o patrocínio que paga o treinamento. Não é um nocaute, mas enfraquece o lutador mês após mês.
A escolha de drones é parte essencial do cálculo. São armas relativamente baratas, que a Ucrânia produz em escala crescente, capazes de voar centenas de quilômetros até alvos no interior da Rússia. Custo baixo contra alvos de altíssimo valor: uma refinaria pode custar bilhões de dólares e levar meses para voltar a operar após um ataque bem-sucedido.
A resposta russa tende a seguir a mesma lógica econômica. Moscou já mira há meses a infraestrutura de energia da Ucrânia, atacando usinas e redes elétricas para deixar o país no escuro e pressionar a população civil. O resultado é o que o The Guardian descreve como uma fase de pressão econômica mútua: os dois lados tentando sangrar as finanças e a energia um do outro, com o front quase parado.
O desgaste, porém, não é simétrico. A Rússia tem uma economia muito maior e uma produção de petróleo que segue fluindo para mercados como China e Índia. A Ucrânia depende de ajuda externa para se manter de pé. A aposta de Kiev é que, somando sanções ocidentais e ataques às refinarias, consiga tornar a guerra cara demais para o Kremlin prolongar.
Por que importa: petróleo russo fora do mercado empurra o preço internacional do barril para cima, e preço de barril alto pressiona o custo do diesel e da gasolina no Brasil, que importa parte do combustível que consome. Além disso, energia mais cara alimenta a inflação global, o que pode endurecer juros lá fora e afetar o câmbio e o crédito por aqui. Uma guerra que parecia distante chega ao posto de combustível da esquina.
