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Clima vira questão de seguro e segurança

ENERGIA
Clima vira questão de seguro e segurança

Os incêndios que devastaram Los Angeles em janeiro trouxeram à tona um problema que deixou de ser futuro: o risco climático está quebrando o mercado de seguros. Casas não encontram cobertura, apólices são canceladas, e os preços disparam. Ao mesmo tempo, na conferência anual da ONU sobre clima (COP29), países negociavam um novo fundo de transição energética justamente porque 2024 foi o ano mais quente já registrado. A equação é simples: quando o clima extremo vira rotina, o seguro deixa de ser negócio e o financiamento seco.

A crise em Los Angeles expôs uma falha real: seguradoras americanas estão saindo do mercado de seguros residenciais na Califórnia porque os incêndios ficaram frequentes demais. Quem consegue apólice paga até o dobro do preço de cinco anos atrás. O padrão se repete: depois que uma região sofre desastres climáticos consecutivos, os bancos e as seguradoras refazem os cálculos e cobram muito mais caro ou simplesmente recusam o negócio. Bairros inteiros ficam fora do mercado formal de seguros.

O problema extrapolou os EUA. Fundos de investimento e bancos começam a recusar dinheiro para obras em áreas muito expostas: cidades litorâneas ameaçadas por alagamentos, regiões secas propensas a secas e incêndios, deltas onde a água sobe. A lógica é brutal: se o risco climático não é previsível, não vale a pena investir. Isso congela o financiamento para infraestrutura, energia e até habitação em zonas vulneráveis.

A negociação na COP29 buscou criar um fundo internacional para ajudar países pobres e emergentes a fazer a transição energética sem ficarem à mercê dos mercados financeiros privados. A ideia é reduzir a exposição climática antes que o risco dispare ainda mais. Mas o fundo segue tímido: países ricos prometem somas que crescem lentamente, enquanto nações em desenvolvimento exigem garantias maiores. O Acordo de Paris (2015) prometia um mundo com emissões menores; a realidade de 2024 mostra que a velocidade da mudança climática já superou a velocidade da ação diplomática.

Este pano de fundo chega à COP30, que será em Belém em 2025. O Brasil será palco do debate justamente quando o país enfrenta uma seca severa na Amazônia e enchentes recordes em outras regiões. A pressão será alta: mostrar que a transição é possível ou admitir que os riscos climáticos simplesmente não cabem mais no modelo tradicional de financiamento.

Por que importa: O Brasil importa combustíveis fósseis e depende de crédito externo para infraestrutura. Se bancos internacionais começam a cobrar mais caro para financiar obras em áreas de risco climático, o custo da energia, da habitação e dos transportes sobe aqui também. Além disso, o agronegócio brasileiro enfrenta secas recorrentes que já afetam plantações e preços. A falta de um fundo climático forte significa que o país arcar sozinho com a conta da transição, enquanto os preços do seguro, do crédito e dos insumos agrícolas podem disparar.

Fontes