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Rússia aponta drones contra as luzes de Kyiv para pressionar a mesa diplomática

GEOPOLÍTICA
Rússia aponta drones contra as luzes de Kyiv para pressionar a mesa diplomática

A Rússia intensificou ataques com drones contra a infraestrutura energética ucraniana enquanto a guerra se aproxima de negociações diplomáticas na Europa. A estratégia é clara: destruir subestações e usinas de energia para enfraquecer a posição de Kyiv nas futuras conversas de paz. Ucrânia e Rússia trocam acusações sobre quem ataca a rede elétrica, mas a realidade é que cada ataque deixa cidades inteiras no escuro e hospitais dependendo de geradores.

A eletricidade virou alvo porque não é fácil recuperá-la rapidamente. Uma subestação destruída leva semanas ou meses para ser reconstruída, enquanto uma trincheira pode ser reocupada em dias. Isso cria uma assimetria: quanto mais apagões, mais pressão sobre a população civil e sobre os negociadores ucranianos. A retaguarda que sofre com frio e falta de água quente exerce pressão política sobre quem senta à mesa diplomática. Moscou conhece esse jogo. Não se trata de conquistar Kyiv militarmente, mas de tornar a vida cotidiana tão insuportável que Kyiv ceda em pontos considerados negociáveis.

Nos últimos meses, os ataques aos setores energéticos aumentaram em frequência e precisão. Autoridades ucranianas reportam que "a destruição da infraestrutura energética tem sido sistemática", segundo comunicados do governo de Kyiv. A velocidade de destruição supera a dos reparos. Cada drone que consegue atravessar as defesas aéreas causa danos que levam dias para ser corrigido, criando ciclos de apagões intermitentes que desorganizam a economia e a vida urbana.

O cálculo de Moscou é político, não apenas militar. Uma população sem luz, sem água quente em pleno inverno europeu, sem possibilidade de abastecer os telefones, cria pressão interna por negociações rápidas. Isso não significa que Kyiv vá ceder, mas significa que a posição ucraniana fica mais frágil quando o povo está cansado de apagões. Rússia está apostando que consegue vencer não na frente de batalha, mas na retaguarda, onde vivem civis e decisores políticos.

A guerra de desgaste, em que vence quem aguenta mais tempo, tem seus próprios campos de batalha. A energia é um deles. E Moscou está operando a tese de que um inimigo sem luz é um inimigo pronto para negociar. Se conseguir destruir capacidade energética suficiente antes de conversas começarem, pode chegar à mesa com mais alavanca diplomática.

Por que importa: A Ucrânia é um dos maiores exportadores mundiais de trigo e milho, produtos que competem com o agronegócio brasileiro. Uma guerra mais longa, com destruição crescente da infraestrutura, afasta a normalização e eleva o preço internacional dos grãos. Isso repercute no custo do pão, da carne de frango e da ração animal no Brasil. Além disso, Rússia e Bielorrússia fornecem potássio, componente crucial de fertilizantes usados nas plantações brasileiras. Quanto mais o conflito perdurar, mais caro sai o custo de produção agrícola no Brasil.

Fontes