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Irã segura sua economia com ajuda chinesa enquanto OPEP+ congela produção

ENERGIA
Irã segura sua economia com ajuda chinesa enquanto OPEP+ congela produção

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (OPEP+) vai manter suas metas de produção estáveis na reunião de domingo, segundo fontes do grupo. A decisão, que à primeira vista parece técnica, esconde um cálculo geopolítico crucial: enquanto Washington aperta sanções contra o Irã, Pequim compra petróleo iraniano em volume suficiente para manter o regime de Teerão financeiramente à tona.

O mecanismo é simples, mas poderoso. Com as exportações de petróleo iraniano reduzidas pelas sanções americanas, o país perdeu bilhões em receita. A China, porém, se tornou cliente cativo: compra petróleo iraniano quando ninguém mais pode (por medo das sanções secundárias dos EUA), oferecendo ao regime uma linha de vida econômica. "A China é essencialmente a chave para manter o regime iraniano de pé neste momento", disse Gregory Rumley, analista do Instituto Washington, centro de estudos americano especializado em Oriente Médio.

O congelamento das quotas de produção da OPEP+ reforça esse apoio indireto. Com a oferta controlada, os preços do petróleo não caem, e quanto mais alto o preço por barril, mais receita o Irã extrai de cada compra chinesa. Mesmo que as exportações iranianas sejam uma fração do que eram antes das sanções (cerca de 400 mil barris por dia hoje, ante mais de 2 milhões há uma década), aqueles poucos barris valem mais no mercado restrito.

A situação revela o aperto diplomático americano com os olhos abertos. A administração Trump esperava que Pequim exercesse alavanca sobre Teerão, mas não há incentivo para isso. A China depende do petróleo iraniano, mais barato que o saudita, mais confiável politicamente que o russo, e não tem razão para usar sua influência em favor de Washington. O petróleo iraniano que flui para portos chineses é o que financia as atividades do Irã na região, desde o apoio a milícias até ao programa nuclear.

O resultado é um impasse. Enquanto as sanções americanas tentam isolar o Irã economicamente, a OPEP+ segura os preços globais em níveis altos, e a China consome o que sobra das exportações iranianas. O regime não prospera, mas também não entra em colapso, existe num limbo de recursos escassos, mas contínuos. A diplomacia americana perde porque não conseguiu romper a aliança China-Irã, mesmo com ameaças.

Por que importa: O petróleo iraniano que China compra não é curiosidade de Teerã. Com a OPEP+ mantendo quotas firmes e a demanda chinesa estável, os preços globais do barril tendem a permanecer elevados. No Brasil, isso significa bomba de gasolina mais cara por mais tempo e gás de cozinha mais caro na mesa do brasileiro. Além disso, a resiliência do Irã graças ao apoio chinês alimenta tensões no Oriente Médio, qualquer escalada lá impacta diretamente o custo da energia aqui.

Fontes