A Rússia está bombardeando sistematicamente as siderúrgicas ucranianas, reduzindo a capacidade industrial do país a sucata. Os complexos siderúrgicos que alimentavam a economia ucraniana estão paralisados ou operando em fração do que produziam antes da invasão. Não é mais apenas sobre território nas trincheiras, é sobre destruir a capacidade econômica do adversário.
A campanha de mísseis contra as usinas de aço começou a se intensificar há meses, mas agora é evidente que a Rússia adotou a demolição da indústria como estratégia de guerra. A Ucrânia perdeu acesso às minas de ferro de Kryvyi Rih, região ocupada pelos russos, e os principais complexos siderúrgicos enfrentam ataques contínuos. A produção de aço caiu vertiginosamente. Empresas como Metinvest, maior siderúrgica privada do país, tiveram suas operações drasticamente reduzidas.
Diferente de um bombardeio tradicional, que visa eliminação rápida, destruir uma siderúrgica é lento e metódico. Os russos atacam os fornos, os laminadores, os depósitos, infraestrutura que leva anos para reconstruir. Um forno siderúrgico não se reconstrói em semanas. Significa que mesmo que a Ucrânia ganhasse a guerra amanhã, teria de enfrentar anos sem exportações de aço, sem divisas, sem empregos em centenas de cidades industriais.
A economia ucraniana, já encolhida pela guerra, perde assim uma de suas pernas mais fortes. Antes de 2022, a Ucrânia exportava milhões de toneladas de aço por ano, era entre os maiores produtores da Europa. Agora, a capacidade está próxima de zero. Cidades como Kryvyi Rih, Zaporizhzhia e Donetsk, que viviam de siderurgia, viram suas principais fontes de renda desaparecerem.
A estratégia russa é clara: se não conseguir vencer rápido no campo, vai esvaziar o Estado adversário economicamente. Um país sem indústria, sem exportações, sem receita fiscal, tem dificuldade em pagar exército, em manter serviços públicos, em reter população. É uma forma de vitória por desgaste, não só dos soldados, mas da nação.
Para Kiev, reconstruir essa capacidade siderúrgica exigirá bilhões de dólares e uma década de investimento. Os fornos destruídos não saem do chão da noite para o dia. Enquanto isso, a Ucrânia dependerá de importações de aço de outros países para qualquer reconstrução, tornando-se mais frágil economicamente.
Por que importa: O Brasil é o quarto maior produtor de minério de ferro do mundo e grande exportador de aço. Com a Ucrânia fora do mercado global, há menos oferta internacional de aço. Em cenários de oferta reduzida, o preço do aço sobe, impacto que chega direto na construção civil brasileira, nas máquinas agrícolas, nos equipamentos industriais. Além disso, a guerra encolhe a economia global, reduz demanda por produtos brasileiros e pressiona o dólar. Siderúrgicas russas também sofrem sanções, o que amplia ainda mais o desequilíbrio no mercado de aço.
