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Oriente Médio·2 min de leitura

Golfo reescreve alianças depois da guerra com o Irã

ORIENTE MÉDIO
Golfo reescreve alianças depois da guerra com o Irã

Os Emirados Árabes Unidos estão sinalizando que a região não quer apenas reconstruir o que era antes. Em entrevista ao podcast "The Foreign Affairs Interview", o diplomata Anwar Gargash, uma das vozes mais influentes da política externa dos EAU, discutiu como a guerra transformou o equilíbrio do Golfo e o que vem por aí: alianças novas, montadas caso a caso, em vez de blocos rígidos como antes.

O conflito que envolveu o Irã reconfigurou as dinâmicas da região. Países que costumavam ficar à margem ou apostar tudo numa única potência começam a se mover. Os EAU, potência comercial e financeira do Golfo, estão na dianteira dessa reorganização. Para Gargash, o tabuleiro geopolítico não volta ao que era: a guerra criou oportunidades, e quem se move rápido agora ganha espaço para negociar sozinho.

A lógica antiga do Golfo era simples: alianças fixas, blocos bem definidos, cada país sabendo seu lugar. A guerra borrou as linhas. Gargash sinaliza que os EAU querem flexibilidade, capacidade de navegar entre diferentes parceiros conforme a conveniência. Não é deserção das alianças tradicionais, mas sim uma postura mais pragmática. Os emirados querem ser ponte, não satélite.

O Brasil entra na conta porque o Golfo é hub do comércio global e centro de energia. Qualquer rearranjo lá toca preços: desde o barril de petróleo até o fretes marítimos que chegam nos portos brasileiros. Os EAU, em especial, são parceiro crescente do Brasil em investimentos e infraestrutura. Uma região mais estável ou mais fragmentada muda o cenário de oportunidades para empresas brasileiras que operam no Oriente Médio.

Gargash deixa claro que a janela de negociação está aberta. Países que apostarem em relacionamentos bilaterais diretos, fora de esquemas antigos, podem sair ganhando. É o sinal que os EAU mandam: quem quer fazer negócio no Golfo pós-guerra precisa entender que a região escolhe seus parceiros projeto a projeto, não bloco a bloco.

Por que importa: o Golfo fornece um quarto do petróleo consumido globalmente e é rota de passagem para um terço do comércio marítimo. Qualquer realinhamento lá mexe em preços de energia, fretes e inflação. Para o Brasil, um Golfo mais cooperativo e menos polarizado abre espaço para negócios diretos com os EAU e com outros atores da região, sem a rigidez dos blocos antigos. E uma região mais estável reduz choques que chegam até a bomba e à inflação.

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