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Ucrânia: Putin dobra a aposta e não pisca

GEOPOLÍTICA
Ucrânia: Putin dobra a aposta e não pisca

Vladimir Putin envia um sinal claro: a Rússia segue com a guerra na Ucrânia sem pressa de parar. Em discurso sobre política externa, o presidente russo deixa entender que acredita ter tempo do seu lado, tanto militarmente quanto na economia. Analistas acompanham cada palavra esperando ver algum indício de recuo. Não há.

A lógica russa é simples, ainda que brutal. Quanto mais tempo passa, mais a Rússia mobiliza sua indústria de guerra e mais o Ocidente se cansa de enviar armas e dinheiro para Kiev. É a conta de quem aguenta mais tempo. Até agora, Moscou resiste melhor que muitos esperavam: conseguiu sustentar a produção de munição, treinou novos soldados e mantém linhas de crédito abertas com Irã, China e Irã. A Ucrânia, por outro lado, enfrenta escassez crônica de armamentos e está à mercê da vontade política dos aliados ocidentais.

Putin está apostando que essa vontade vai fraquear. Lá fora, há pressão crescente nos EUA e na Europa para negociar um fim rápido. Democratas e republicanos americanos brigam sobre quanto ainda gastar com Kiev. Na Europa, a fadiga com as sanções à Rússia também cresce, energia cara, inflação, recessão à vista. Enquanto isso, Moscou continua tocando o jogo como se tivesse toda a eternidade pela frente. Não há fala de Putin oferecendo paz; há apenas insistência em que a guerra prosseguirá.

O cálculo russo tem um risco: e se o Ocidente não cansar? E se a Ucrânia, mesmo que cambaleando, resistir? Aí a Rússia fica presa numa guerra de consumo que drena seu tesouro e população. Mas por enquanto, Moscou age como se estivesse vencendo a conta regressiva. Segue mobilizando, segue lutando, segue dizendo que não há pressa.

Por que importa: quando a guerra se arrasta e investidores ficam incertos sobre o resultado, eles fogem para o dólar, a moeda mais segura do planeta. Com isso, o real desvaloriza. Tudo que o Brasil importa fica mais caro: máquinas, insumos químicos, combustível. Além disso, a Rússia e Ucrânia produzem juntas cerca de 30% do trigo mundial e fertilizantes que chegam aos campos brasileiros. Uma guerra prolongada mexe nesses preços, o que afeta desde a sua conta de supermercado até o tamanho da safra no país.

Fontes