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Ásia buscou abrigo energético e encontrou guerra

ENERGIA
Ásia buscou abrigo energético e encontrou guerra

Os ministros de energia dos dez países que formam a ASEAN, o bloco do Sudeste Asiático, se reúnem em Manila nesta semana sob uma ameaça que vem de milhares de quilômetros de distância: a guerra no Irã. O conflito no Oriente Médio desloca o foco das negociações regionais, expondo uma vulnerabilidade estrutural. A reunião, que trataria de investimentos e transição energética, agora gira em torno de um plano de emergência.

A dependência por energia importada é o calcanhar de Aquiles do Sudeste Asiático. A região, uma das que mais crescem no mundo, importa mais de 60% de seu petróleo e quase 40% de seu gás natural. A maior parte dessa energia chega pelo estreito de Ormuz, gargalo marítimo no Golfo por onde passa um quinto do petróleo global. Qualquer escalada no conflito envolvendo o Irã, que ameaça bloquear o estreito, eleva o custo e a insegurança para os países da ASEAN de forma quase instantânea.

A guerra torna os planos de longo prazo imediatamente urgentes. Bloco já havia estabelecido uma rede interconectada de gasodutos e eletricidade, além de metas para aumentar o uso de energia renovável. Porém, como destacou um porta-voz das reuniões de Manila, "a segurança energética não pode esperar". A discussão agora inclui a aceleração de projetos de importação de Gás Natural Liquefeito (GNL) de outras origens, como Estados Unidos e Austrália, mas isso exige infraestrutura cara e tempo que o conflito não permite.

A pressão se soma a outros desafios internos, como a crescente demanda doméstica e a necessidade de reduzir emissões. A região está, portanto, no meio de um dilema: precisa garantir energia barata para seu desenvolvimento agora, mas sem se afundar em novas dependências fósseis que comprometam o futuro. A guerra no Golfo apenas acelerou a cobrança por respostas concretas.

Por que importa: O Sudeste Asiático é um dos maiores motores da demanda global por commodities. Quando esses países competem por cargas de GNL e petróleo em mercados apertados, pressionam os preços internacionais para cima. Isso significa custos mais altos na importação de fertilizantes para o agrícola brasileiro e, no longo prazo, pode manter a inflação de energia elevada, afetando diretamente a conta de luz e o preço dos transportes no Brasil.

Fontes