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Oriente Médio·2 min de leitura

Plano de Trump para Gaza completa ano sem deter fogo nem desarmar Hamas

ORIENTE MÉDIO
Plano de Trump para Gaza completa ano sem deter fogo nem desarmar Hamas

Faz um ano que o governo dos Estados Unidos, sob Donald Trump, apresentou um plano ambicioso para Gaza: prometia cessar-fogo, desarmar o grupo Hamas e iniciar a reconstrução. Um ano depois, nenhuma dessas promessas se concretizou. A violência israelense não parou e o Hamas permanece no controle da faixa, expondo o fracasso de uma aposta diplomática americana que agora mancha a credibilidade de Washington em outras frentes, como a recente declaração de vitória sobre o Irã.

O "Plano de Prosperidade para Gaza", lançado em março de 2024, previa uma série de etapas: um cessar-fogo imediato, o desarmamento progressivo do Hamas sob supervisão internacional e um pacote bilionário para reconstruir a faixa. A iniciativa visava, acima de tudo, consolidar os Acordos de Abraão, a normalização de relações entre Israel e nações árabes que Trump considerava sua maior conquista no Oriente Médio. Para isso, era preciso resolver o "problema Gaza".

O obstáculo sempre foi a intransigência das partes. O Hamas nunca aceitou o desarmamento como condição prévia, vendo-o como o fim de sua razão de ser. Israel, por sua vez, mantinha a posição de não negociar diretamente com o grupo e reservava o direito de operações militares. "Não havia base real para o plano funcionar", disse à Reuters um ex-funcionário do Departamento de Estado americano, que pediu anonimato. "Foi uma tentativa de forçar uma solução que ninguém queria de verdade."

O fracasso em Gaza tem efeito cascata. A campanha de Trump também usou a retórica de "vitória" contra o Irã, após as tensões de abril. Ao anunciar que os EUA haviam "contido" Teerã, Trump buscava projetar força. Mas os analistas veem um padrão: declarações de sucesso em políticas externas que, no terreno, não avançaram. O caos em Gaza, sem solução americana à vista, alimenta a percepção de que a influência dos EUA na região está em xeque.

Para os brasileiros, a instabilidade prolongada em Gaza tem um impacto indireto, mas concreto: eleva o risco geopolítico no Oriente Médio, uma região crucial para a oferta global de petróleo. Cada escalada de tensão mantém os preços do barril em patamares altos, o que pressiona os custos de combustíveis, frete e energia no Brasil. Além disso, a instabilidade dificulta projetos de cooperação, como a importação de gás liquefeito, que o país busca para diversificar sua matriz.

Por que importa: O fracasso do plano americano para Gaza sinaliza que o conflito não terá resolução rápida. Para o Brasil, isso significa manter a atenção em uma região que, ao menor sinal de fogo, faz o preço do diesel, da gasolina e dos alimentos subir no bolso do consumidor. A instabilidade crônica no Oriente Médio continua sendo uma das variáveis mais sensíveis para a economia doméstica.

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